O vulcão como metáfora da criatividade

Visitei recentemente o Vulcão Villarica, em Pucón no Chile. Maravilhoso!

vista do vulcão Villarica a partir da cidade de Pucón

vista do vulcão Villarica a partir da cidade de Pucón

Alí, um dos enigmas é entender por que as pessoas não têm medo de viver tão perto do perigo?

Acontece que o Vulcão Villarica está em permanente atividade. Segundo os habitantes locais, o fato dele estar sempre soltando algum tipo de fumaça ou detrito é um sinal de sua “saúde” vulcânica. Isso evita grandes erupções e mantém os habitantes “informados” de seu estado.

Então funciona mais ou menos assim: enquanto há sinais de fogo… não há desastre.

Isso me fez pensar sobre como lidamos com o processo criativo.

Do ponto de vista pessoal, somos capazes de passar anos sentindo que nossa potência criativa está represada, sem nada fazer.

“Quando eu me aposentar… quanto eu tiver mais dinheiro… quando eu tiver um chefe que me entenda…” enfim, tampamos nossa cratera pessoal  e culpamos a condições inadequadas do presente. A efervescência permanece ali porque a vida é intensa e  porque cada um tem uma capacidade singular de produção.

Isso, para mim, é um dos fatores que pode levar ao stress. De repente, um rompante “vulcânico” virá nos acordar, fazendo com que questionemos a profissão, o casamento, nosso modo de construir as relações ou tantos outros lugares de realização que fazem parte da nossa vida cotidiana.

Nas organizações, muitas vezes acontece o mesmo. As pessoas ficam imersas em suas atividades cotidianas e de repente formam-se times de inovação que devem produzir “grandes erupções” em poucos dias.

Claro, as erupções têm seu papel! Representam, talvez, a natureza colocando  todos nos seus devidos lugares, ou a potência mostrando sua cara mais espantosa. Mas, como ensinam os habitantes de Pucón, estar sempre “soltando alguma fumaça” pode ser bem mais saudável.

Daí a importância de estarmos sempre conectados à nossa à nossa potência, daí a importância da auto- realização pessoal e da existência de processos abertos de inovação nas organizações em que todos possam contribuir do seu modo e um pouco por vez.

Há muito se sabe que a maioria dos casos históricos de grandes descobertas instantâneas são mitos construídos pelos seus próprios autores. Na realidade, elas são resultados de anos de investigações e seus autores estavam em atividade permanente.

Aliás, só nessa condição é possível ir até a beira da cratera do Villarica, ver as manchas amareladas de enxofrem, a vista 360 graus e ouvir os incríveis ruídos da lava.

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