Re Purpose: o que torna um grupo criativo?

Novamente caiu nas minhas mãos um vídeo bem interessante que está no yout tube (aliás, uma das melhores coisas da rede é trocar esse tipo de indicação!). Eis o cenário: um bando de garotos super inteligentes e criativos estão criando, em vários lugares do mundo, espaços para Re-Purpose. Nesses ateliês tecnológicos, eles transformam e combinam novas e velhas tecnologias.

Como fazer uma máquina de escrever responder a comandos enviados por celular? Como samplear os sons do antigo Nintendo para e criar música eletrônica que remete à infância de uma geração inteira? Bom, os moleques fazer isso.

O vídeo em si já seria interessante, mas esta semana ele ganhou um novo significado para mim. É que eu estava com uma questão: como se constrói um “espaço de grupo”?

Achei super interessante uma cena, muito rápida, em que um dos garotos traz um motor e coloca sobre uma espécie de bancada central. Era um novo desafio. Não sei o que eles queriam fazer com aquilo (o filme não conta), mas vê-se que muitos se aproximam para ver o que o dono do motor pretende. Até eu fiquei curiosa…mas a questão é a seguinte: um dos grandes desafios de qualquer grupo humano que quer gerar conhecimento, inovação, aprendizagem ou dar algum significado para o seu trabalho é o velho 2+2=5 (ou 6, 9, 1000 hoje em dia). No ateliê de re-purpose parece que essa equação existe.

Cada um tem um projeto pessoal criativo e ao mesmo tempo sabe que projetar esse desejo no coletivo só o tornará mais forte. Não há medo de mostrar, cada idéia é totalmente única e cada projeto articula nos outros o desejo de fazer funcionar algo que parecia impossível. Eles estão dando novos significados à tecnologia, porém mais interessante ainda é o lugar de criação coletiva que geraram.

Por que as vezes é tão difícil dar vida a esse lugar coletivo? O que aproxima ou afasta um grupo de ocupar criativamente esse espaço?

Falta de confiança? Baixa interconexão? Medo? Falta de um assunto comum? Ou simplesmente a geração do espetáculo em fala somente quem tem algo notável pra mostrar?

Podem ser uns tantos motivos, mas para mim parece que faltam projetos. “O que estamos projetando juntos?” – esta seria uma boa pergunta para um time se fazer. Não precisa haver uma resposta única, mas um sentido, talvez.

Bom, as vezes eu fico chata falando desse negócio de sentido, mas o bendito filme me fez novamente pensar nisso. Esses caras provavelmente não estão ali porque se amam (abaixo as ilusões sobre ser grandes amigos de todos os integrantes do nosso time) mas ali todos parecem saber que projetar os próprios desejos no coletivo só potencializa a transformação e vai abrir diálogos com pessoas que podem ajudar.

Não há medo de perder a autoria nem puxadas de tapete (aliás, não tem tapete na sala), não há uma ata nem um e-mail pra chamar a reunião, porque o motor está alí e, se você quiser, basta “chegar junto” para olhar. Não há limite, pois cada projeto imaginado é virtualmente possível.

Eu adoraria ter uma dessas máquinas doidas em casa, ainda tenho muito o que re-significar.

One comment

  1. Muito interessante. Vi o filme e li o texto e me lembrei de um artigo sobre Investigação Apreciativa. Parece-me um bom exemplo da prática desse conceito (que ainda conheço muito pouco).
    Concordo com “o sentido”, e, no caso, há um conjunto de sentidos pessoais e coletivos, dando segurança pessoal e um ambiente de colaboração.

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