O que é inovar afinal?

Hoje volto rapidamente à questão que de origem a este blog.

interconectividade mullinsSempre que começo um projeto de inovação fico pensando no potencial de transformação que ele tem. Tudo bem, por ser um projeto e não um processo, algo já o torna um elemento “alienígena”, ainda não incorporado na organização, mas sei que conviverei com esse grupo durante algum tempo e começo sempre acreditando na criatividade do coletivo. Espero que bons encontros nos aconteçam e que o projeto nos faça enxergar a potência do que podemos realizar.

Mas não é só isso. Quando começamos algo desse tipo penso que o maior desafio é se deixar atravessar pelo que nos acontece no processo. Especialmente quando fazemos vivências de campo e experimentações mais ousadas, a maior limitação está dentro e não fora do grupo. Desconstruir a si mesmo e encontrar aquele lugar onde é possível brincar com a realidade sem se sentir perdido é um grande desafio. Fica mais fácil quando o grupo cria uma boa rede interna, uma sustentação para suas aventuras.

Outro ponto que me inquieta hoje é a questão das redes sociais. Não dá mais pra pensar em inovação como algo que alguém oferece a um mercado e obtém mais e mais rendimentos. Nem mesmo se for uma idéia muito original. Nem mesmo modificar um modelo de negócios. Acho que depois que li o Umair Haque, fiquei mais exigente. Hoje a inovação traz consigo uma ética própria de parceria, liderança, senso de responsabilidade. A distinção entre Thick e Thin Value não me sai da cabeça.

Voltando às redes, o desafio hoje é pensar na inovação como um tipo de conexão que uma organização estabelece com sua rede de stakeholders. Pode ser uma proposta, um produto, um novo modo de atuar… não é possível mais pensar em inovação tendo em vista apenas ganho de rentabilidade. Inovar de forma sustentável é partir da constatação de que a empresa é parte de um todo muito maior e que seu fazer afeta as relações que a envolvem e, a partir delas, tantas e tantas outras. A interdependência é um fato tão básico como difícil de apreender para quem teve uma formação onde ensinou-se que causa e efeito explicavam o mundo.

Questões preliminares ao processo poderiam ser: o que queremos sustentar ou não no nosso “lugar” de atuação? Qual o nosso modo único de atuar? Qual a nossa rede?

Fica então uma fala do Dalai Lama, citada pelo Nicola Philips:

“Seria possível raciocinar em termos de interesse próprio, isoladamente dos outros. Mas já que não é assim, já que eu mesmo e os outros só podemos ser entendidos em termos de relacionamentos, percebemos que o interesse próprio e os interesses alheios estão na verdade intimamente relacionados, nesse quadro de realidade interdependente; percebemos que não existe na verdade interesse próprio, totalmente independente dos interesses alheios. Devido à interconectividade fundamental que existe no coração da realidade, seu interesse também é meu interesse e torna-se claro que ‘meu’ interesse e ‘seu’ interesse estão fundamentalmente interligados. Em um sentido profundo, eles convergem.”
Difícil manter essa visão num mundo competitivo.
Difícil mudar a visão do que é inovação, ou pode vir a ser… mas vamos nessa!

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