Inovação sustentável: é preciso abandonar a máquina como metáfora

a "invention machine"

a "invention machine"

Recebi uma mensagem do um colega Vic Desotelle que criticava uma certa visão de inovação sustentável apresentada num pequeno guided tour de um produto chamado Invention Machine Goldfire, que mostra uma “linha de montagem da inovação”. De fato, para quem trabalha com o tema, a apresentação é quase uma caricatura da visão mecanicista de inovação. Vale a pena ver tantas palavras mágicas, técnicas e robôs informáticos articulados para entregar a inovação pronta. Fosse simples assim, vários de nós estariam desempregados.

Sua idéia era basicamente a seguinte: auando pensamos numa linha de produção sustentável, pensamos em torna-la mais ecologicamente correta, mas ainda estamos pensando em uma linha que produz e dispensa. Para tornar um produto sustentável seria necessário que a cadeia voltasse sobre si mesma, retro alimentando-se em um ciclo fechado de regeneração. Diz ele: “todos os produtos, que são um resultado da inovação, precisam ser desenhados como ciclos de looping fechado que não permitam sequer a idéia de desperdício de entrar na equação.”

Me parece que a idéia de fechar o ciclo de inovação sobre si mesmo e evitar totalmente o desperdício é interessante, porém insuficiente.

A resposta parece ser bem mais complexa do que fechar num ciclo o que era uma linha de produção. Acredito que o ciclo (de vida) dos produtos não precisa ser fechado em si, mas sim interconectado com os ciclos de outros produtos e produções sociais. A questão do desenvolvimento como algo que acontece em rede precisa ser pensada em todo o processo de inovação porque as propostas de novos produtos ou serviços já precisam contemplar as interconexões com fornecedores, parceiros, outras empresas ou instituições que possam usar os resíduos gerados, afetar o mesmo sistema em que o produto está inserido, modificar seu modo de distribuição, afetar agentes-chave que atuam com o produto (inclusive fornecedores). Enfim, fazer essa leitura e manter vivas essas conexões de forma a ter uma proposta sustentável dentro de uma rede não é fácil, mas certamente é necessário. Tudo o que ocorre na rede vai afetar o desempenho de uma inovação e sua sustentabilidade seja do ponto de vista sócio-ambiental, seja do ponto de vista econômico.

Nesse contexto, o resíduo, algo natural ao processo, não é igual a desperdício. Não criamos uma utopia do ciclo perfeito e sim um sistema que gera e regenera suas próprias condições de desenvolvimento.

imagem de parte da rede

imagem de parte da rede

Para dar um exemplo, veja o mapa entitulado “How Star Wars changed the World” publicado em 2005 pela Wired Magazine. Ele mapeia pessoas (em verde), empresas (em vermelho), tecnologias (em amarelo) e filmes, séries de tv e games (azul) que foram tocados pela força dessa inovação.

Quanta potência a sua inovação está gerando na rede de relações onde está inserida?

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