FIB, Sonha São Paulo e a possibilidade de imaginar novos mundos

TUCA_aérea

imagem de Tuca Vieira

Hoje é Blog Action Day. No mundo todo, os blogueiros escrevem sobre a questão climática. Tenho conversado sobre sustentabililidade, economia e novas perspectivas para a cidade de São Paulo com meus amigos e ouvi ideias bem interessantes que vou reunir neste post.

Que novos modos de pensar e conviver podem nos ajudar a mudar o mundo em que vivemos? Como podemos subverter, reverter e reformar o que vivemos do pequeno ao grande acontecimento?

Vou dar alguns exemplos muito variados que, espero, possam rechear de inspiração o seu dia. Eles vão da macroeconomia à micropolítica, então este post é uma espécie de mergulho que parte de uma visão aérea e vai até a modificação de coisas simples do dia-a-dia, pensando sempre na inovação e na construção de um mundo mais sustentável.

Começando pelo mais macro, acho importante mencionar a linda subversão do conceito de PIB, através da criação do FIB, indicador de Felicidade Interna Bruta. Nada tão novo. Esse movimento foi iniciado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuk nos anos 80, quando ele criou um novo índice para apurar o sucesso da economia do seu país. O FIB trabalha com 9 dimensões inter-relacionadas:

Padrão de Vida, Boa Governança, Estado de Saúde, Educação, Diversidade Cultural, Resiliência Ecológica, Vitalidade Comunitária, Uso Equilibrado do Tempo Bem-estar Psicológico e Espiritual.

Fica evidente que vai surgir daí uma cesta de indicadores muito diferente daquela que compõe o PIB! Quem sabe nos ajudará a rever conceitos antigos de crescimento e progresso baseados no acúmulo e na exploração de recursos.

O movimento de elaboração e disseminação do FIB, que tem em Susan Andrews uma de suas maiores disseminadoras, pretende fornecer ferramentas para planejar um novo modo de investir e organizar as comunidades em que vivemos tendo em vista a interdependência fundamental que está tanto por trás do processo evolutivo no nosso planeta quanto das nossas mazelas. Somos um único sistema vivo.

Indo agora para um nível um pouco mais “micro”, temos a cidade, que é o lugar onde se manifestam todas as contradições do sistema sócio-econômico. São Paulo, pulsa, cheia de vida, mas é atravessada por um rio morto… é lugar de tantos encontros, mas também de tantas pessoas perdidas. Então como ser feliz na Cidade de São Paulo? O que é bem estar numa das maiores metrópoles do mundo? Com podemos, juntos, começar agora a construir o futuro que desejamos a partir dos grandes potenciais dessa cidade?

Conversávamos sobre isso com gestores da regional São Paulo Capital, da Natura. Eles refletiam sobre a complexidade de apoiar causas sócio-ambientais na cidade. O que selecionar? Em torno do quê as pessoas têm mais desejo de se mobilizar? Como a Natura poderia contribuir na busca de bem estar nesse ambiente?BANNER NATURA SONHA SP_2 hires

Decidimos então fazer uma Investigação apreciativa (IA) sobre o tema. Esse método nos ajudará a ouvir e conversar para compreender melhor os sonhos de cidade que estão na mente de colaboradores da empresa, stakeholders e cidadãos em geral.

Fazer renascer o Tietê? Plantar árvores frutíferas nas ruas? Escolas públicas de qualidade? Teleféricos para melhorar o trânsito?

Entre sonhos lúdicos e necessidades básicas, entre possibilidades delirantes e a linha amarela do metrô, vamos descobrir possibilidades e elaborar projetos.

Você pode participar dessa proposta inserindo o seu sonho no www.sonhasaopaulo.com.br e estimulando pessoas da sua rede a fazerem o mesmo. A partir do que será registrado ali, vamos fazer um estudo dos temas mais freqüentes e vamos ajudar a Natura a refletir sobre sua atuação na nossa cidade.

Finalmente, se você quer uma ação mais imediata, micropolítica e até autoral, aqui vão algumas inspirações. No blog do Desvio há um post super bacana sobre o conceito de Gambiarra: criatividade tática. Não, não se trata de fazer “um gato” na fiação elétrica, nem usar fita crepe para fazer a barra da calça (apesar de tudo isso fazer parte do espírito libertador do conceito). Trata-se de manter abertas possibilidades modificar, subverter e re-criar a realidade em que vivemos, de manter ativa uma criatividade tática que nos aproxima a cada instante da inovação e de nos mesmos, com nosso olhar único sobre o mundo e nossa potência de atuar.

Estar alerta, ativar nossas redes e ter consciência do que queremos sustentar no mundo é fundamental para vivermos no presente o futuro que desejamos.

Se você vai participar desse movimento fazendo uma modificação no seu ambiente de trabalho, realizando um grande projeto como o Sonha São Paulo ou procurando apurar o FIB de um país, não importa tanto. Importa sim que você reforce os fluxos de mudança nos quais acredita.

O sucesso passa a ser uma resultante de todos esses esforços coletivos e não de uma iniciativa em particular.

Veja este vídeo para se inspirar. Uma idéia criativa, uma gambiarra européia, um novo design para um mundo que já existe!

2 comments

  1. Muito bacaninha este seu blog, @Luziata. Parabéns.

    Agora, o FIB é, sim, uma ótima idéia (tem uma dose um pouco excessiva de marketing, mas não faz mal). O problema são os indicadores que compõem o índice. Como qualquer desses índices que apareceram nas última décadas, é abritário demais. Ou seja, de um ponto de vista científico, nada garante que se você multiplicar, somar, subtrair, dividir quantidades heterogêneas isso fará algum sentido (para além de permitir ranquear e, é claro, do propandístico – no bom sentido, no caso). No caso, o que ele não capta de um ponto de vista sistêmico é o metabolismo (a dinâmica) e o corpo (a estrutura) da rede social. Assim, quer medir alguma coisa assemelhada ao bem-estar, um sentir-se bem (que, aliás, não pode ser medido) mas deixa escapar o que há de propriamente ‘social’ na convivência humana. Na minha opinião, que já me meti em muitas aventuras de elaborar indicadores, bastaria medir o grau de distribuição-conectividade das redes às quais estamos – as pessoas – mais intimamente conectados.

    Um velho amigo, o Ignacy Sachs, pioneiro do desenvolvimento sustentável, gostava de tirar um sarro com essa mania de ficar inventando índices. Dizia ele (a reconstrução literária é minha) que a gente soma a renda com a escolaridade, divide pela taxa de desemprego, eleva tudo ao cubo e depois multiplica “pela idade do verdureiro da esquina” (este fator final é dele). Vai dar um índice? É claro que vai! Servirá para ranquear? É claro que servirá (se muitos adotarem). Mas… não refletirá nada do que realmente se passa na intimidade daquela sociedade.

    Abraços.

  2. Luciana, como sempre muito inspirador o seu blog. Estou lendo todas as referências deste post, e também as referências das refências.
    Um beijo, e até a próxima semana, no workshop.

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