Uma cidade invisível nascendo da visibilidade

Lalage.

Este é o nome da cidade que encontrei no livro Cidades Invisíveis de Italo Calvino para inspirar o trabalho do grupo ao qual dedico este post.

Kitezh

Kitezh, conhecida como a Atlântis Russa.

Estamos juntos desde do começo do ano e no nosso último encontro fiquei muito tocada com o que pude observar. Relações, olhares e um diálogo visível. Um projeto ganhando força através das relações que lhe dão sustentação. Comprometimento levando a uma sinceridade crua e necessária. Dilemas que se colocam a partir de fora e podem ser transformados a partir de uma mudança de perspectiva construida no grupo, a partir dos olhares diversos, das diferenças, dos conflitos e também do grande projeto que faz dele um grupo. Eis a dobra.

Visualizo então uma “cidade” permeável, flexível e por isso forte em sua potencial leveza.

Segue o trecho conforme prometido. Sorte a todos nas definições dessa semana!

Da alta balaustrada do palácio real, o Grande Khan observa o crescimento d império. Primeiro as fronteiras haviam se dilatado englobando os territórios conquistados, mas o avanço dos regimentos encontrava regiões semidesertas, combalidas aldeias de cabanas, aguaçais em que o arroz crescia mal, populações magras, rios secos, miséria. “É hora de o meu império, crescido demais em direção ao exterior”, pensava Khan, “começar a crescer para o interior” e sonhava bosques de romãs maduras com as cascas partidas, zebus assados no espeto gotejando gordura, veias metalíferas que manam desmoronamentos de pepitas cintilantes.

… O Grande Khan contempla um império recoberto de cidades que pesam sobre o solo e sobre os homens, apinhado de riquezas e de obstruções, sobrecarregado de ornamentos e incumbências, complicado por mecanismos e hierarquias, inchado, rijo, denso.

“É o seu próprio peso que está esmagando o império”, pensa Kublai, e em seus sonhos agora aparecem cidades leves como pipas, cidades esburacadas como rendas, cidades transparentes como mosquiteiros, cidades fibra-de-folha, cidades-linha-da-mão, cidades-filigrana que se vêem através de sua espessura opaca e fictícia.

– Conto o que sonhei esta noite – disse a Marco – em meio a uma terra plana e amarela, salpicada de meteoritos e massas erráticas, vi erguerem-se a distância as extremidades de uma cidade de pináculos tênues, feitos de modo que a lua em sua viagem possa pousar ora num pináculo ora noutro ou oscilar pendurada nos cabos dos guindastes.

E Polo:

– a cidade que você sonhou é Lalage. Os habitantes dispuseram esses convites a uma parada no céu noturno para que a lua permita a cada coisa da cidade crescer e recrescer indefinidamente.

– Há algo que você não sabe – acrescentou o Khan. – Agradecida, a lua concedeu à cidade de Lalage um privilégio ainda mais raro: crescer com leveza.

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