Quem está conectado se enreda

Quem está conectado produz sua própria teia

Não sei se quem está conectado vive em rede, mas posso dizer duas coisas.

1. quem está conectado se enreda… em primeiro lugar em si mesmo.

2. quem está conectado só vive em rede se souber conversar.

Penso que a experiência de viver em rede nos leva a estarmos enredados em nossos próprios interesses. Estive com uma amiga que me disse que não tem tempo para estar conectada. Se ela não tem seu próprio tempo, quem terá? No viver em rede o campo de interesses próprio de cada um se expande  e toma vida, ligando o nosso fazer ao que está fora de forma definitiva. Já sabíamos disso desde a Física Quântica, as Teorias da Complexidade, mas viver isso, é diferente. Estar exposto ao acaso, ao movimento, ter que ouvir e a cada instante fazer uma leitura dos acontecimentos para poder navegar na própria vida é algo novo. Assista Moby Dick: é preciso ficar em silencia e ler os pássaros para saber de onde a baleia virá!

Nas redes vivemos mais padrões do que lugares definidos e esses padrões podem co-existir e penetrar paredes e construções, inclusive hierarquias.

Ao mesmo tempo, a rede requer coerência, existe um rastro, uma identidade (ainda que múltipla) que vai surgindo a cada registro que fazemos.

Quem está conectado se enreda no desejo de estudar um tema, no desejo de fazer amigos, no desejo de amar ou simplesmente fazer sexo. Talvez por isso seja tão complicado o apego a mecanismos de controle dentro de qualquer instituição que seja permeada pelo viver em rede. Aquela “distração” que tanto incomoda, aquele estar em dois lugares ao mesmo tempo e (sim) estar presente em ambos de alguma forma… esse tipo de viver não está fora da pessoa, mas a constitui. Na rede ela expressa quem ela é e, se uma organização quer controlar o alguém nesse nível, provavelmente vai gera um viver angustiante para ambas as partes.

Como disse o Raphael Barreiras no debate da Campus party: “as redes são dês-hierarquizantes, as empresas têm que entrar em diálogos e compartilhar parte do poder que elas tinham. É uma perspectiva um pouco mais humilde.”

2. Quem está conectado só vive em rede se souber conversar.

Sim, e possível estar conectado sem viver em rede, mas fiquei pensando: do ponto de vista do linguagear (como diriam Maturana e Ximena) o que seria viver em rede. Nos bons encontros, onde existe escuta e um aumento de potência, podem se estabelecer links, há um viver no amar em que as partes são legitimadas.

Por outro lado, existem os encontros que não se concretizam na escuta. São habitados pelo conflito e por uma certa cegueira. As partes não são legitimadas, o encontro se desfaz. Não há link, perde-se uma possibilidade de conexão. Com isso, perde-se uma possibilidade de composição de pensamentos e de energia.

Daí ser interessante pensar o que seria um linguagear em rede. Vamos em frente, literalmente vivendo e aprendendo.

Ah, quem quiser conhecer um pouco do pensamento da Margareth Wheatley e não está podendo ler muito agora, tem um montão de vídeos dela no you tube.

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