Inovação: o que é, por que e como?

Ontem tivemos o primeiro Sarau de Idéias aqui no JuntoSP Coworking sobre Inovação, com a moderação do Kip Garland, consultor da Innovation Seed e minha (Luciana Annunziata, consultora da Dobra), ambos com mais de dez anos de experiência no tema. Um grupo pequeno, aconchegante e variado, entre executivos, consultores e empresários esteve presente, expondo suas experiências e perguntas.

Começamos levantando as questões dos presentes e o que mais   surgiu foram perguntas em torno de como preparar as pessoas para inovar ou, de forma mais geral, como fomentar a cultura de inovação numa organização. Sim, colocou Kip, sempre acontece de estarmos muito preocupados com os comos. Queremos fazer acontecer. Mas, a pergunta que não quer calar ainda é “o que é inovação, afinal?” e “por que” precisamos dela. Introduzir ferramentas, práticas e mesmo processos tem efetividade muito limitada se não existe um sentido maior que oriente esse tipo de esforço. Foram dados alguns exemplos de casos práticos em que processos de inovação bastante interessantes, envolvendo grandes grupos de pessoas e tecnicamente muito bem elaborados, foram sendo abandonados por falta de uma validação perene e pressionados pelas pressões de curto prazo. Sem porquês claros, o processo vai minguando.

Por que o porquê vem primeiro?

Para alocar bem os recursos é preciso que a organização tenha muito claro por que precisa de   inovação. Esse tema foi abordado não só do ponto de vista da organização, mas do ponto de vista da sociedade como um todo. Por que precisamos de mais e novos produtos? Do que realmente precisamos?

Esses porquês guiam a alocação de recursos no cotidiano, seja nas decisões de consumo, seja nas grandes decisões empresariais. São eles que nos lembram de questões mais sistêmicas que envolvem a inovação, tais como o contexto concorrencial, a escassez de recursos, os valores por trás da tomada de decisões, a sustentabilidade. Os porquês nos paralisam com a mão na gôndola e nos fazem refletir.

Numa organização, essa alocar recursos para inovação significa saber quando priorizar projetos com elevado risco.  Esse ainda é um grande desafio estratégico, especialmente para empresas que estão obtendo bons resultados ou atuam em setores que parecem estáveis, como os de commodities ou distribuição de energia, por exemplo. Essa alocação se refere a recursos financeiros, sim, mas sobretudo a recursos humanos. As melhores pessoas da estão dedicadas ao projetos de inovação?

“O que”: de que tipo de inovação estamos falando?

Esses porquês também vão definir o tipo de inovação ou  “o que” que a organização está buscando. Antes de discutir inovação é bom saber de que tipo de inovação estamos falando. Quanto a isso, levantei pelo menos 8 visões (ou tipologias) diferente sobre inovação. Segue uma lista aberta para você se divertir e completar:

  • Políticas de fomento à inovação (normalmente relacionadas a políticas governamentais e parcerias público-privadas).
  • Visão tipológica: inovação tecnológica, de produto, de processo ou de serviços.
  • Visão topológica (nomeclatura minha): topologia do portfólio em relação a riscos e capacidade atual de realização, por exemplo).
  • Visão processual: referente tanto a processos de geração de idéias quanto a processos de seleção (e temos de um lado o design thinking como inspiração de um lado e os sempre presentes stagegates ou funis, do outro).
  • Visão arquetípica (ou de personas): referente aos diversos modelos mentais necessários à inovação, especialmente nos times que a realizam, como coloca Tom Kelley em As 10 Faces das Inovação.
  • Inovação de Modelo de Negócios: como proposto por Gary Hammel ou Clayton Christensen (cada um deles com uma visão diferente sobre as competências essenciais que guiam esse tipo de inovação, como colocou Kip).
  • Inovação Aberta: que procura abrir os modelos de inovação das organizações para as redes de conhecimentos que podem amplificar seus negócios, como em Chesbrough ou Lindegaard.
  • Inovação Social: uma discussão mais recente que procura fomentar a geração de valor para a sociedade articulando o setor privado e o 3º setor, com a potencial criação de um setor 2,5. Há diversas iniciativas interessantes surgindo nesse espaço.

Não se trata aqui apenas de classificar ou reduzir, mas de brincar com essas visões para visualizar o espaço de inovação que a sua organização está explorando. Dentro de cada uma dessas visões há diversas categorias que dão muito assunto para reflexão.

Conversamos, por exemplo, sobre a inovação disruptiva e sua distinção em relação à inovação radical. Ela não diz respeito a mais conforto, mais sofisticação, mais praticidade e sim à busca de uma certa simplicidade. O que é essencialmente necessário em um carro? Surgem hoje exemplos de carros mínimos, como os da Tata Motors ou o novo Volt, que mostram o que é esse capacidade de buscar o essencial. Trouxemos também um exemplo relatado por Clayton Christensen: uma TV branco-e-preta carregada por bateria solar, por exemplo, não tem nada de novo, mas Christensen relata como ela faz sucesso entre povos nômades em algumas partes do globo.

Todo mundo quer os “comos”

Apesar de termos começado a discussão perguntando sobre “como inovar”, acabamos voltando a esse tema no final já um tanto esvaziados. Diante dos grandes porquês e o quês, não havia mais espaço nem tempo para discutir os comos. Sim, existem muitos comos interessantes, métodos e ferramentas que podem ser combinados, mas esta discussão fica para a próxima, isto é, se os porquês estiverem claros.

PS: . O comentário ontem quando tentamos definir inovação ontem foi: inovação é a vida na zona de desconforto (J).

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