O que é inovação?

“Inovação é um descontentamento” – não fui eu que disse não. Anotei no flip chart pensando, “cara, isso é do caralho de tão simples.” E logo eu, que gosto tanto de subtrair palavras, fui pega de surpresa. Alguém com um olhar estrangeiro jogou uma seta bem no miolo do que eu faço. IMG_2622
É um alívio. Ninguém sabe tudo, todo mundo sabe alguma coisa e todo o saber tá na humanidade. Também não fui eu que disse isso não, foi o velho Pierre Levy (e o francês nunca chegaria a uma definição tão simples: “inovação é um descontentamento”).
Mas só? É isso que define o olhar inovador? Não. Talvez a inovação seja um “descontentamento ativo”. (Bem melhor). E ativo por que?
Porque a gente tá ferrado. Temos mil razões pra ficar deprimidos: crise ambiental e social horrorosa, uma escassez recursos naturais e de valores que dói na alma e muita coisa no limbo, desde a reforma política até ideia tradicional de família. Ninguém vai vir nos salvar. Deus, coitado, tá morto há mais de um século.
Descontentar-se é olhar de frente essa lama onde a gente tá metido.
Mas a inovação é um descontentamento que se recusa a ficar deprimido, é uma coceira que incomoda, mas também dá vontade de sair gritando na rua e dizer pra todo mundo: “o jogo é aqui e agora!”
O mundo é um lugar a ser transformado.
Eu tenho a oportunidade de ser parte disso. Amém (não sei a quem, mas amém). Nasci num canto subdesenvolvido do mundo, mas tive estudo (público e gratuito, por sinal) e por vocação ou por acidente, aprendi a pensar criticamente. Vivo numa era de incertezas e tenho uma profissão que eu mesma inventei, mas não estou só. Ando bem acompanhada de gente que inventa e do meu descontentamento: esse peso no fundo da bolsa, às vezes difícil de carregar, mas que no fundo é o sistema operacional da minha consciência onde roda um aplicativo ativo que me faz perguntar a todo instante: o que vou fazer pra mudar tudo isso?

3 comments

  1. Lu Annunziata, descontentamento me lembra (des)envolver; traz junto a inovação para nos contentar. Sobre o estado das coisas, do mundo das pessoas, acessamos recentemente boas cabeças em posições chaves de liderança no mundo das organizações e da inovação corporativa e todas elas são unânimes na desolação quanto ao desenho de nação, algo como neste carro não dá pra seguir viagem nem chegar a lugar algum, só ficar nas estradas de terras e esburacadas parando de oficina em oficina. Inovação é onde está o nosso motor, o nos move. Inovação é gasolina. E combustível de gente é a grande tarefa do ser humano: SER HUMANO (e não fui eu que disse, foi um tal de Maturana…).

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