A proposta da carreira em ‘M’

Ser mulher é foda. Não tem jeito. A gente quer carreira, a gente quer ter filhos, a gente quer amar e se sentir linda. Não cabe tudo na mesma encarnação. Ou cabe?

Comecei a meditar todos os dias esse ano, quem sabe 15 minutos diários de silêncio jogam uma luz nos meus dilemas e um pouco de serenidade na minha loucura. Quando parece que estou conseguindo dar conta, lá vem um filho que perde a carteira e outro com insônia. É isso. E eu tenho SIM, flexibilidade de horário e SIM, essa foi minha escolha de carreira desde o começo. O desejo de ter filhos moldou minha vida profissional e me fez correr mais riscos.

Agora já faz 20 anos que trabalho para RH, onde se discutem desenhos de carreira. Para os técnicos, por exemplo, a carreira em Y permite que se faça uma escolha, a certa altura, entre a continuidade na área técnica ou uma passagem para um cargo de gestão.

ImagemEntão para as mães proponho: vamos batalhar pela carreira em M? Funciona assim: você investe numa grande ascendente, batalhando por formação, posição, experiência e reconhecimento. Em dado momento (que seria bom acontecer entre 28 e 35 anos, acredito) a gente tem filhos e desce no M. Aí fica naquele lugar, com a carreira quase zerada. Lê um pouco, aconselha em projetos, mas amamenta, cuida das crianças, curte, educa os pequenos. Mais importante, a gente precisa se reorganizar nessa hora, porque não é só suprir o outro, mas a maternidade deixa a gente bem maluca, com um torrente de questões existenciais. Eu tive depressão quando recomecei a trabalhar, meu corpo não estava pronto para deixar meu filho em casa e ele já tinha 6 meses (ou só 6 meses, dizia o meu coração). No fundo do M a gente precisa meditar (lembrei da teoria U, que propõe esse fundo também): o que é que eu quero para mim e minha família?

Depois a gente sobe o M de novo, respeitando o arranjo emocional e financeiro da família que está nascendo. Cada mulher vai fazer isso de um jeito diferente. Acho que essa subida pode ser mais lenta ou mais rápida, mas é o momento de rever a carreira, fazer novas escolhas. Para as executivas, por exemplo, pode ser a hora de se reorganizar para voltar. Esse seria também um momento ótimo para inovações no modelo de gestão de RH. Exemplo: duas mães podem trabalhar meio período e suprir um certo cargo. Por que não? OK, ok, talvez não seja possível pelas leis trabalhistas, mas são ideias. Muitas pessoas acabam fazendo isso quando optam pela consultoria (ou por virar diarista ao invés de mensalista🙂. O fato é que a gente volta diferente depois que tem filhos e muitas organizações perdem profissionais talentosas exatamente nessa volta.

Essas opções todas e muitas outras que podemos gerar, sustentam um segundo momento profissional, até a aposentadoria ou, quem sabe, uma nova descida do M quando nascem os netos. Seria uma delícia, até porque teremos cada vez mais vida longa, com mais de uma opção de carreira ao longo dela. Eu, por exemplo, agora estudo para ser escritora a partir dos 50.

Lembrando o básico: o mundo do trabalho é o mundo da produção (não da tortura). É ali que realizamos nossas intervenções e grande parte do nosso legado. Se pudermos produzir com o coração, fabricaremos empreendimentos melhores enquanto criamos seres humanos mais serenos, que foram acolhidos afetivamente pelas suas mães: com M maíusculo em todas as áreas de vida!

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