pra inovar nos tempos atuais

O que podemos aprender com tudo isso?

De Onde Nasceu o MAP-SE

Vamos postar aqui uma série de artigos sobre a metodologia que estamos desenvolvendo, o MAP-SE. Ele reune os melhores aprendizados que tivemos na Dobra nos últimos anos:

veja também o site.

POR QUE MAPAS?
Tradicionalmente, mapas são encomendados a partir da intenção de alguém. O cartógrafo atende a uma encomenda, como podemos ver nos mapas antigos criados por portugueses ou pelo império britânico. Onde havia conhecimento, iam sendo criados ícones para tribos, mares e montanhas. Onde não havia, entravam monstros, caravelas e alegorias. E assim é: quando a gente não sabe, inventa.
Hoje temos quase o problema contrário. Precisamos dar sentido para o enorme volume de informação que temos à disposição e fazer isso, sempre que possível, usando a Inteligência do coletivo. Esse coletivo é fundamental em dois sentidos: ele gera informação e ele dá sentido para a informação a partir de diversos pontos de vista.
O caso mais famoso na web é certamente o Ushahidi, uma plataforma de crowdmapping que foi criada para mapear a violência depois que teve início uma guerra civil no Kenya. Olhar aqueles mapas era entender o tamanho do problema e quais os focos mais críticos, onde as soluções deveriam chegar primeiro.

COMO COMEÇAMOS A NOS ENCANTAR COM ISSO
Vivemos um caso real no Senac em 2005. Havia uma política de qualidade definida corporativamente. Mas como ela era materializada em cada uma das 80 unidades que havia na época no Estado de São Paulo? E quais as práticas que fariam sentido em localidades tão diferentes? Algumas unidades tinham apenas 5 funcionários e outras, mais de 80.
A estratégia foi construir um mapa que permitisse visualizar como a qualidade era trabalhada nas localidades. Ao mesmo tempo, a construção coletiva desses mapas, com representantes das unidades, permitiu o diálogo sobre as práticas que realmente fariam sentido para os diferentes negócios que a organização tinha em todo o Estado de São Paulo. A partir do mapa, era possível formar grupos por tamanho, ou por problemas críticos semelhantes. Também era possível definir quem poderia aprender com quem, na medida em que tivemos acesso às unidades que já tinham avançado mais em cada um dos 6 pilares da política de qualidade e podíamos mapear aquelas que estavam com mais dificuldades.
A construção de mapas trouxe a pessoas para o diálogo, permitiu que suas visões fossem representadas. Ajudou a criar um terreno para avançar mais rápido em práticas de fomento à qualidade baseadas em indicadores e implementação de processos como o PNQ. Havíamos criado um terreno fértil para um trabalho que, todos sabiam, seria árduo. Nada disso ainda chamava-se MAP-SE, mas foi um aprendizado definitivo entender o quanto a construção e disseminação de mapas era capaz de gerar engajamento das pessoas.

MAPAS ESTRATÉGICOS: METÁFORAS TOP DOWN
Há também os mapas estratégicos, velhos conhecidos das empresas. Criamos vários deles ao longo da trajetória da Dobra. Eles sempre são uma projeção, mas raramente são criados de forma colaborativa. Os mapas estratégicos tradicionais são instrumentos de disseminação e engajamento, mas não um recurso para materializar e reunir conhecimentos do coletivo. São usados para disseminar e gerar diálogo em torno do Balanced Scorecard, por exemplo.
Essa é a diferença da proposta do MAP-SE. Acreditamos que é possível acionar a inteligência dos vários atores envolvidos em um problema não só para resolvê-lo, mas para ampliar a percepção do território, identificar os recursos que estão presentes, levantar pontos de vista e agilizar a busca de soluções. Tendo clareza de onde estamos, podemos definir mais rapidamente e de forma mais assertiva para onde vamos.

MAP-SE: O BOTTOM UP INSTRUMENTALIZADO

Em outro artigo recente neste blog, falamos um pouco sobre a dificuldade de criar ferramentas que tornem o acesso a redes de conhecimento e de relações mais instrumental. Por que isso? Porque temos demasiadas ferramentas de controle e hoje vivemos uma situação nas instituições de forma geral que poderia ser materializada numa fala do tipo : claro que essa coisa de redes sociais e poder das massas é muito bacana, mas no fim das contas eu preciso de resultados e preciso medir o que está acontecendo.

Então existem muitas ferramentas surgindo para viabilizar que esse poder ao coletivo se realize muito além da web. O crowdfunding, o crowdsourcing e… o crowdmaping. Como exemplo deste já mencionamos o Ushahidi, mas há muitos outros como este, que mapeia os lugares onde há amor na cidade de São Paulo ou o mapa de sensações da cidade, que é patrocinado pela própria prefeitura.De qualquer forma, fica o desafio de transformar a informação criada pela multidão em algo prático.

No caso do MAP-SE A pergunta que queremos responder vai nessa linha: como podemos usar mapas criados coletivamente para resolver problemas sistêmicos? E como fazer isso de uma forma divertida que ajude também a facilitar diálogos sobre temas complexos que precisamos enfrentar, como sustentabilidade, estratégia ou engajamento de stakeholders? Assim, começamos analisando o que podia ser mapeado: a rede social formada entre as pessoas que lidam ou afetam o sistema onde o problema acontece e as conversas que elas têm sobre o problema, que pode ser entendida através de mapas de narrativas. Os resultados são a base para a construção do jogo do MAP-SE, que acontece na fase Conecta e envolve os stakeholders para conversar sobre suas visões do sistema e do problema e, sobretudo, para criar e compor um mapa que represente essa diversidade de visões.

2013-10-29 14.14.06

 

O que é inovação?

“Inovação é um descontentamento” – não fui eu que disse não. Anotei no flip chart pensando, “cara, isso é do caralho de tão simples.” E logo eu, que gosto tanto de subtrair palavras, fui pega de surpresa. Alguém com um olhar estrangeiro jogou uma seta bem no miolo do que eu faço. IMG_2622
É um alívio. Ninguém sabe tudo, todo mundo sabe alguma coisa e todo o saber tá na humanidade. Também não fui eu que disse isso não, foi o velho Pierre Levy (e o francês nunca chegaria a uma definição tão simples: “inovação é um descontentamento”).
Mas só? É isso que define o olhar inovador? Não. Talvez a inovação seja um “descontentamento ativo”. (Bem melhor). E ativo por que?
Porque a gente tá ferrado. Temos mil razões pra ficar deprimidos: crise ambiental e social horrorosa, uma escassez recursos naturais e de valores que dói na alma e muita coisa no limbo, desde a reforma política até ideia tradicional de família. Ninguém vai vir nos salvar. Deus, coitado, tá morto há mais de um século.
Descontentar-se é olhar de frente essa lama onde a gente tá metido.
Mas a inovação é um descontentamento que se recusa a ficar deprimido, é uma coceira que incomoda, mas também dá vontade de sair gritando na rua e dizer pra todo mundo: “o jogo é aqui e agora!”
O mundo é um lugar a ser transformado.
Eu tenho a oportunidade de ser parte disso. Amém (não sei a quem, mas amém). Nasci num canto subdesenvolvido do mundo, mas tive estudo (público e gratuito, por sinal) e por vocação ou por acidente, aprendi a pensar criticamente. Vivo numa era de incertezas e tenho uma profissão que eu mesma inventei, mas não estou só. Ando bem acompanhada de gente que inventa e do meu descontentamento: esse peso no fundo da bolsa, às vezes difícil de carregar, mas que no fundo é o sistema operacional da minha consciência onde roda um aplicativo ativo que me faz perguntar a todo instante: o que vou fazer pra mudar tudo isso?

Como escolher a ideia certa para a sua startup – continuando post da Results on

Traduzindo e incluindo o que o post da Results on gerou aqui na Startup Farm BH.

1) Sua ideia tem que fazer ao menos uma de três coisas:

Facilitar alguma coisa que era difícil, baratear algo que era caro ou entreter!

2) Escolha algo que é uma grande “dor” de mercado

O tamanho do mercado nem sempre é um grande indicador do potencial de sucesso.

Achamos que “market pain” não é bem dor, mas dor traduz bem. Quanto mais o seu negócio focar de fato algo que dói, melhor.

3) Ideias comerciais são muito diferentes de ideias sociais.

Software social (i.e. foursquare, Instagram, Twitter) tem uma lógica diferente do e-commerce.

Discutimos aqui que não é somente uma distinção em relação ao e-commerce, mas uma diferença em relação aos projetos que já têm um modelo de negócios e um público-alvo bem definido. No caso dos negócios ancorados em mídias sociais e que se baseiam na formação de uma rede de pessoas, muitas vezes não se sabe de antemão de onde virão os recursos. O modelo comercial fica atrelado a outros fatores. Trata-se primeiro de atrair as pessoas para, depois, buscar formas de gerar negócios que não entrem em choque com a cultura da comunidade. Enviar mensagens comerciais pelo Twitter, por exemplo, é de péssimo tom!

Então há um grande desafio para as Startups que vão entrar nesse tipo de negócio: como construir um discurso forte sendo quando ainda não é possível saber como atingir a viabilidade financeira? Na conversa aqui na Startup Farm BH falou-se que uma opção é mostrar o potencial de atração. Qual o volume de pessoas que se conectaria com essa idéia?

Bom, de qualquer forma, falta de recursos não foi empecílho para o nascimento da maioria das grandes plataformas baseadas em redes sociais. O Instagram está até hoje pensando em como vai se tornar viável.

4) Escolha um projeto onde você possa empatizar com seus usuários.

Idealmente você estaria construindo algo para si mesmo.

…aí acrescentamos mais um item:

5) Projetos multistakeholder são diferentes de projetos com um grupo único de usuários.

Se você vai conectar pessoas que hoje têm dificuldade de se encontrar, tem que entender como o projeto serve cada uma delas. Um exemplo disso é o projeto do Grão, que é sistema de financiamento colaborativo de educação para estudantes de baixa renda, através de doações online. Não se trata de servir apenas o doador ou apenas ou estudante, mas ambos.

Então é isso. Nesse caso a fase de descoberta do projeto tem que dar voz para todos os stakeholders.

Ah, e segue o link do slideshare conforme prometido, tanto do workshop da pergunta-pivô quanto da prototipagem!

Boa sorte aos empreendedores!

A Startup Farm e o conceito de pergunta-pivô

Empreendedores “pivotam”, mas em torno de quê?

Como estar preparado para mudar de rumo? Como acreditar de antemão que a qualquer instante uma rasteira te derruba, mas não pode destruir o teu sonho? É disso que trata a pergunta-pivô. Mesmo todas as mudanças do mundo, mesmo o mercado ou uma nova tecnologia: nada resiste a uma boa pergunta. Fez sentido para o Felipe Matos durante a Startup Farm, fez sentido pra mim. Adotamos. Virou uma tag de conversa nossa.

Meu livro favorito sobre perguntas não foi escrito por nenhum empreendedor, mas pelo poeta chileno Pablo Neruda. Chama-se El Libro de las Preguntas e procura nos levar ao limite da imaginação.

“Por que não se ensina os helicópteros a tirarem mel?

Se o amarelo terminar, com que faremos o pão?

Diga-me, a rosa está pelada ou só tem esse vestido?

Por que as árvores escondem o esplendor de suas raízes? A fumaça conversa com as nuvens?

Por que as folhas se suicidam quando se sentem amarelas?

Por que o chapéu da noite voa com tantos buracos?

O que irrita os vulcões para cuspirem fogo, frio e fúria?

As lágrimas não choradas esperam em pequenos lagos?

Este é o mesmo sol de óntem ou é outro fogo o seu?

Como se mede a espuma que cai da cerveja?

Para quem o arroz sorri com tantos dentes brancos?

Quem gritou de alegria quando nasceu a cor azul?”

Adoro essas perguntas de Neruda porque nos colocam num lugar de observar quantas possibilidades ocultas o mundo tem. Assim, o arroz ganha dentes, um obsessivo mede a cerveja e as folhas se suicidam. O trabalho com empreendedores não guarda esse tipo de sutileza. Será?

A pergunta-pivô que guia os negócios é voltada para a ação, é certeira, uma espécie de lança. Parafraseando David Isaccs, um dos mentores do World Café:“Qual é a situação da vida real ou qual a necessidade que torna esse projeto pertinente e importante?” Ou como dizemos na Startup Farm: “Qual é a questão do mercado que você quer responder?”

Mas…Quem é o mercado?

Quem há de saber o que ele pensa ou do que precisa?

Quem sabe o que irrita os vulcões?

Definir a pergunta pivô é também imaginar possibilidades e colocar-se num lugar de inovação que pode ser bastante radical. Como posso ter a sensação de riscar o papel na tela do computador? Como sentir o cheiro de uma pessoa distante? Como dar através de uma tela a sensação tão desejada do vôo? Como usar a web para aproximar mães e filhos?

A imaginação ajuda a alargar o território do projeto quando se pensa na pergunta-pivô, o que é fundamental porque a última coisa que a gente quer é… ter que pivotar de repente. Então trata-se de plantar um pivô onde ninguém está vendo, mas sempre sabendo que é impossível garantir isso. Colocar a pergunta pivô num lugar óbvio demais, ou já mapeado, é o pior cenário para o empreendedor.

Mas tem mais: Quem enuncia essa pergunta? Qual a sua linguagem? O que o inquieta? A quem serve o projeto? Ou a “quems”, no caso de projetos multistakeholder?

O que pensa um taxista enquanto dirige?

Como funciona a mente de um jogador de videogame?

Como se sentem as pessoas quando postam imagens na web?

Como vive um caminhoneiro?

Há uma questão de linguagem que só escrevendo e reescrevendo a gente consegue solucionar. A pergunta-pivô fala ao investidor, mas tem que traduzir também o “espírito da coisa” e falar a língua do público-alvo. Além disso, a pergunta-pivô é um eixo de articulação e conversação do time de projeto. É dessas conversas que nasce a energia e a originalidade de um novo negócio. É a primeira semente da cultura de uma organização que nasce.

Volto a Juanita Brown e David Isaacs: “Uma vez que as perguntas estão intrinsecamente relacionadas à ação, elas despertam e orientam a atenção, a percepção, a energia e o esforço, e estão, por isso, no centro das formas de evoluir que nossas vidas permitem. A criatividade exige que façamos perguntas legítimas, aquelas para as quais uma resposta não é conhecida de antemão. As perguntas funcionam como convites generosos à criatividade, trazendo à tona aquilo que ainda não existe”.

Uma startup é isso: ela nasce num lugar que ainda não existe. É muito diferente trabalhar com projetos de startup e trabalhar com projetos de inovação em grandes empresas. É a vida que está em jogo e não o emprego. As pessoas correm pela sala, perguntam a todo instante, fazem caretas, mordem o celular. Há “sangue nos olhos”. E, falando diretamente com esse povo, se o objetivo for apenas ganhar dinheiro, bom… melhor você encontrar alguma paixão, pois é ela que ajuda a enterrar esse tal pivô que você está buscando.

Serviço: a Startup Farm continua percorrendo o Brasil. Fique ligado!

Se você fez o workshop e quer a apresentação, aqui vai: nossa apresentação Metodologia ativação projetos pergunta pivo from Dobra Inova

“>Slideshare.