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imagens que encontramos em nossas andanças

Matt Ridley: Quando as idéias fazem sexo

Acabei de assistir o vídeo “Quando idéias fazem sexo”, um TED com Matt Ridley, professor de Oxford que nos conta como a capacidade de intercambiar é uma das chaves para o desenvolvimento e a prosperidade da nossa civilização. (Obrigada Bruno, pelo presente).

Ao mesmo tempo, tive hoje uma reunião com uma cliente de RH, uma mulher experiente e de pensamento aberto. Ela me falava sobre sua sensação de falta de coordenação e de tempo para reflexão e para conversas na organização em que vive.

Eu arriscaria o seguinte: a falta de tempo de qualidade para construir trocas significativas pode ser um dos grandes fatores de fracasso nas organizações contemporâneas. Esse é um dos fatores de redução da  produtividade e da originalidade das idéias. Está na raiz do comportamento dos gestores que não conseguem tempo de qualidade para solucionar dilemas que se perpetuam e reduzem ainda mais o tempo disponível. É também uma das raízes de problemas graves de retenção de talentos, pois o desejo de trocar, como coloca Ridley, é um impulso humano tão forte quanto o sexo. Ter esse desejo frustrado é algo que muitos não suportam (ou suportam apenas enquanto precisam).

“É geral!” dizia minha cliente, justificando que esse não era um problema apenas da sua empresa e muito menos do gestor mencionado em nossa conversa, que ainda não tivera tempo de se aprofundar no material gerado durante um workshop pelo seu próprio time.

O fato é que temos hoje duas tendências paradoxais. Por um lado temos a “nuvem”: uma web que permite buscas, encontros imediatos, construção coletiva, indexação de conteúdos, reuniões à distância. Por outro, temos ambientes organizacionais saturados com seus próprios controles, nadando em densos mares de teorias, best practices e comunidades que muitas vezes não deslancham.

O sonho de muitos é o “internet inside”: reproduzir internamente as condições da web, mas ainda há  poucos casos de sucesso nessa área. Para quem quiser conhecer alguns, recomendo o livro The Future of Social Learning, de Marcia Conner, mas recomendo também ficar de olho no blog sobre fracassos nessa área que ela deve lançar me breve.

O fato é que essa cultura de nuvem gera uma pressão sobre a estrutura organizacional. Mais do que uma tendência tecnológica, é uma mudança cultural importante que se baseia num princípio cultural sólido surgido, como Ridley menciona, há 100 mil anos: o ser humano tem necessidade de trocar. Essa promiscuidade intelectual, física e econômica é fundante para o ser humano, mas é também dionisíaca e disruptiva. Só o tempo dirá como as organizações e seus procedimentos de gestão serão modificados pela emergência da cultura de nuvem.

A boa notícia é que os mecanismos de auto-organização surgem mesmo a partir desse tipo de dinâmica que parece caótica. Além disso, gestão e colaboração não são princípios antagônicos e sim complementares. Adam Kahane em seu belíssimo livro Poder e Amor, mostra a dificuldade e a extrema necessidade de coordenarmos impulsos de realização individual, iniciativa e demonstrações de poder com a colaboração e o desejo de fazer parte de um todo maior. É talvez um dos maiores aprendizados que buscamos hoje como humanidade e as organizações são um microcosmo disso.

Onde isso nos leva?

Vejo-me novamente diante da minha cliente, olhando para um telefone e esperando a reunião começar. O que posso dizer a ela?

Penso que um dos princípios da nuvem é a visibilidade. A web é altamente econômica porque tudo é visível. Não é necessário dizer o que já foi dito ou fazer o que já foi feito. Este próprio post é uma reciclagem. Tornar visível o que existe, tagear e poder acessar o conhecimento de outros é algo tão simples quanto difícil para as organizações, mas pode ser um começo.

Dar visibilidade é mostrar o que se sabe e o que não se sabe, é expor  planos e metas, é fazer a gestão do conhecimento e do desconhecimento (adoraria fundar essa ciência). Esse nível de transparência é difícil em ambientes em que as pessoas ainda lutam por terreno e passam o tempo demarcando áreas. As trocas são fundamentais, mas não há um ser humano sequer que troque em condições de tamanha incerteza e luta por poder.

Então qual é esse território comum? Como vivemos e habitamos esse território? O que existe à nossa disposição para realizarmos nossas tarefas, para colocarmos em ação nossa potência e para inovarmos?

Saio da sala e deixo minha cliente que já vai correndo para outra reunião. Deixo sobre a mesa (ou na nuvem) a palavra visibilidade e, iluminada pela simplexidade possílvel, vou continuar buscando trocas interessantes com aqueles que me cercam.

Eis

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Liderança, coragem e simplicidade

Acabei de ler um post na HBR com o título “Are you brave enough to work for social change?” ou “Você é corajoso o suficiente para traballhar para a mudança social?”. Adorei e não resisti em postar, mesmo estando num dia bem corrido.

O vídeo que está no post é imperdível. Assista você mesmo. Liderar não é apenas  ser o primeiro a empreender, mas também ter a coragem de ser um seguidor de empreendedores malucos que simplesmente enxergaram a oportunidade de mudar algo. É a partir desses seguidores que a mudança simplesmente … acontece!

Além disso, muito bonita a declaração de Raymond Chambers, empreendedor social que criou o movimento da compra de redes de proteção (os famosos mosquiteiros) como forma de prevenção da Malária e chegou até a comprometer o super mega pop programa Ídolos com sua idéia. Largou uma carreira promissora para dedicar-se a causas sociais.

A receita de felicidade dele é simples:

  1. Permaneça no momento; não há nada além do presente.
  2. De um passo atrás e torne-se o espectador dos seus próprios pensamentos; não seja aprisionado pelo drama, aprenda com ele.
  3. Preocupe-se em ser amoroso enão em estar certo.
  4. Desvie do seu camminho para ajudar qualquer pessoa que necessite.
  5. e finalmente, a cada manhã, anote as coisas na sua vida pelas quais se sente mais grato.

Idéias muito coerentes com a Biologia Cultural.

Eu pessoalmente sigo alguns malucos maravilhosos e desejosos de um mundo melhor.

fui.

TEDx Vila Madá e a coragem de abraçar

Este tem que ser um post rápido. É fim de ano e quase não consigo escapar à histeria natalina, ao trânsito, às 1500 demandas familiares e festas escolares. Óntem, contudo, consegui ir ao TEDx Vila Madá, que foi promovido “na raça” em 15 dias pelo pessoal da Educartis.

As vezes o desejo de abraçar é maior do que a pressa, do que o excesso de fim de ano, do que a agenda lotada, simplesmente é preciso abraçar uma causa ou o desejo de fazer nascer algo que quer em existir.

Acho que foi assim com eles, pelo misto de cansaço e alegria. Quem estava lá sentiu. Organizar um TED em 15 dias não é fácil, mas abre uma porta e inaugura uma série.

O TED em si, a causa de espalhar idéias que valem a pena, e a iniciativa de fazer isso a partir de um nascedouro de cultura como a Vila Madalena, em uma escola que estava quase “abandonada” pelos próprios alunos, recupera um certo espírito paulistano de se mostrar, de tornar presentes idéias vanguardistas. Tomara que os próximos eventos tragam esse espírito cada vez mais vivo.

A coragem de abraçar, seja alguém ou uma idéia, mesmo a essa altura de 2009 é encantadora.

O vídeo que estou inserindo fechou o evento. Talvez você já tenha visto, eu não tinha e me emocionei. Isso, afinal, talvez seja o Natal.

Um pequeno pensamento sobre propaganda

Talvez algo que possamos assistir como um filme, pensar que aquela idéia, aquelas imagens, aquela originalidade valeu. A obra foi  maior do que o artista.

Sim, isso já acontece hoje, mas ainda não é o que predomina. Sim, este não é um vídeo “que nunca foi feito” ou incrível, mas vai nessa linha.

Talvez descobrir a linguagem que interessa ou uma história que atravessa aquele público com quem se quer falar.

Que não seja alvo, posto que é gente, mas que seja possível entreter.

Re Purpose: o que torna um grupo criativo?

Novamente caiu nas minhas mãos um vídeo bem interessante que está no yout tube (aliás, uma das melhores coisas da rede é trocar esse tipo de indicação!). Eis o cenário: um bando de garotos super inteligentes e criativos estão criando, em vários lugares do mundo, espaços para Re-Purpose. Nesses ateliês tecnológicos, eles transformam e combinam novas e velhas tecnologias.

Como fazer uma máquina de escrever responder a comandos enviados por celular? Como samplear os sons do antigo Nintendo para e criar música eletrônica que remete à infância de uma geração inteira? Bom, os moleques fazer isso.

O vídeo em si já seria interessante, mas esta semana ele ganhou um novo significado para mim. É que eu estava com uma questão: como se constrói um “espaço de grupo”?

Achei super interessante uma cena, muito rápida, em que um dos garotos traz um motor e coloca sobre uma espécie de bancada central. Era um novo desafio. Não sei o que eles queriam fazer com aquilo (o filme não conta), mas vê-se que muitos se aproximam para ver o que o dono do motor pretende. Até eu fiquei curiosa…mas a questão é a seguinte: um dos grandes desafios de qualquer grupo humano que quer gerar conhecimento, inovação, aprendizagem ou dar algum significado para o seu trabalho é o velho 2+2=5 (ou 6, 9, 1000 hoje em dia). No ateliê de re-purpose parece que essa equação existe.

Cada um tem um projeto pessoal criativo e ao mesmo tempo sabe que projetar esse desejo no coletivo só o tornará mais forte. Não há medo de mostrar, cada idéia é totalmente única e cada projeto articula nos outros o desejo de fazer funcionar algo que parecia impossível. Eles estão dando novos significados à tecnologia, porém mais interessante ainda é o lugar de criação coletiva que geraram.

Por que as vezes é tão difícil dar vida a esse lugar coletivo? O que aproxima ou afasta um grupo de ocupar criativamente esse espaço?

Falta de confiança? Baixa interconexão? Medo? Falta de um assunto comum? Ou simplesmente a geração do espetáculo em fala somente quem tem algo notável pra mostrar?

Podem ser uns tantos motivos, mas para mim parece que faltam projetos. “O que estamos projetando juntos?” – esta seria uma boa pergunta para um time se fazer. Não precisa haver uma resposta única, mas um sentido, talvez.

Bom, as vezes eu fico chata falando desse negócio de sentido, mas o bendito filme me fez novamente pensar nisso. Esses caras provavelmente não estão ali porque se amam (abaixo as ilusões sobre ser grandes amigos de todos os integrantes do nosso time) mas ali todos parecem saber que projetar os próprios desejos no coletivo só potencializa a transformação e vai abrir diálogos com pessoas que podem ajudar.

Não há medo de perder a autoria nem puxadas de tapete (aliás, não tem tapete na sala), não há uma ata nem um e-mail pra chamar a reunião, porque o motor está alí e, se você quiser, basta “chegar junto” para olhar. Não há limite, pois cada projeto imaginado é virtualmente possível.

Eu adoraria ter uma dessas máquinas doidas em casa, ainda tenho muito o que re-significar.

Um texto do Lourenço Mutarelli

Post rápido pra inspirar.

Além de tudo olha os desenhos dele...

Além de tudo, olha os desenhos dele...

Fazendo uma pesquisa na web, encontrei este trecho de Lourenço Mutarelli. Leia e tire suas conclusões. Ao mesmo tempo em que escreve isso, ele consegue ter um humor incrível, como mostra o filme “O Cheiro do Ralo”, baseado num livro seu. Vale a pena conhecer os quadrinhos dele!

“O circo acabou. As personagens não buscam o divertimento, o riso ou a alegria. Elas buscam quase desesperadamente, através do consumo, o confronto. Não há motivos para rir. O riso é apenas um espasmo. É preciso acreditar em uma forma de salvação.

Deus não está morto, nunca nasceu.

O palhaço perdeu seu emprego. Nós estamos perdendo os nossos. É obrigação do palhaço receber nossa arrogância. O palhaço não é engraçado. Cabe ao palhaço engolir nossa fúria. Daremos uma festa para um palhaço que não foi convidado. Já não nos importa a felicidade, importa apenas parecermos felizes.

Dividimos o mesmo espaço. Estamos no mesmo barco, que sabidamente afunda. Só nos resta uma poltrona para que possamos, de forma conotável, aguardar que as águas nos libertem. Não para uma nova ou melhor existência mas, para vida nenhuma. O palhaço enfia a cabeça no balde e a mantém submersa por cinco minutos. A água não mais purifica, apenas abafa o mundo. Às personagens restam apenas lembranças. Vagas, imprecisas, que não se compartilham, dividem o mesmo espaço no palco mas não no mesmo tempo.”

Sem comentários. É um soco no estômago da nossa vida contemporânea.

É preciso ouvir música eletrônica

Hoje estou ouvindo algo novo. Chama-se Data Rock, mas é música eletrônica.

vive la fete, vive la vie!

vive la fete, vive la vie!

Engraçado… fui criada ovindo rock, daqueles com riffs de guitarra mesmo, desde os clássicos, como Led Zeppeling até darks e derivados, como Cure ou Joy Division.

Hoje é preciso ouvir música eletrônica. As pesquisas sobre o cérebro indicam de mil formas como a música ajuda a modular nossas ondas mentais, como afeta nossas emoções e altera os batimentos cardíacos. Se você, como eu, já percebeu que vive num mundo de misturas, precisa ouvir música eletrônica para se “modular” a essa imensa gama de conexões e virtualidades que nos acometem. Tudo acontece rapidamente e quem edita a vida é você, com suas conexões e a partir da sua singularidade.

Eu não gostava (de música eletrônica), agora procuro o que me cabe, porque as possibilidades são imensas! Fora que, para os velhos rockeiros, ainda há muitas possibilidade de casamento, como Vive la Fete, por exemplo.

Estar no mundo também é se expor a ele. Como diria Howard Gardner (o nosso psicólogo cognitivo preferido do momento), nunca é tarde para aprender.

Você quer afetar o mundo que o cerca? Seja afetado por ele: ouça música eletrônica.