destruição criativa

Toda economia pode ser criativa

Vivemos talvez o momento mais criativo e grave da história da humanidade. Vivemos a “era da abundância, mas ainda carregamos a mentalidade da escassez”. Podemos pela primeira vez reconhecer a complexidade do mundo e temos em nossas mãos as ferramentas, as potências e o desejo para lidar com ela.

Esse mundo complexo nasce de uma conectividade inédita, de um fluxo de informações crescente, da diversidade aliada à perspectiva da unidade e de um caos que pode nos levar ao esfacelamento ou à descoberta de padrões que antes eram invisíveis.

Temos pressa. Pressa de conservar o planeta, pressa de evitar novas guerras, pressa de encontrar condições para a expressão da potência individual no trabalho, deixando de lado o terrível paradigma da dor como algo que enaltece o ser humano. Queremos carregar um certo sorriso por trás do que fazemos, não negando qualquer dor, mas sabendo que a dor é um estado que pode passar por nós como a água de um rio que conhece o seu próprio destino.

Amor e dor, poder e colaboração, não temos mais tempo para maniqueísmos. Queremos misturas. Temos pressa de viver.

Através da tela do computador buscamos bons encontros. Temos o desejo de tocar aqueles que compartilham a mesma vibração: é possível amar a vida sem ser inocente demais. É possível usar todas as capacidades técnicas, científicas e cognitivas que conquistamos em composição com o emocionar alegre, urgente e prático da dita geração Y. Em Y temos escolhas.

O desejo dessas novas composições vai então habitando projetos: ações certeiras, que impregnam o mundo a partir de uma escuta aberta e da contemplação de mapas complexos. “O velho desaparece não por colapso, mas porque fica obsoleto“.

Onde quer você esteja e com quem puder conversar, vai ouvir a mesma história. Queremos uma vida que tenha sentido. Escondida embaixo das mesas de reuniões nas empresas, estendida sobre as mesas de bar ou nos desenhos que os coaches fazem com seus pupilos, está essa perspectiva de projetos que vão se articulando e formando um mundo que ainda não conseguimos enxergar. É nesses projetos que queremos empregar nossas energias.

Temos pressa. Nunca houve tanta inspiração e tanta gente “solta”, em busca de um agenciamento positivo que ajude a exercer sua potência. Nunca houve tanta pressão para cozinharmos juntos nossos saberes, catalisando inovações sem autoria, que nascem no “entre”, nascem nas relações, mas com autoridade e recursos coletivos.

Inovação pode então parecer uma palavra mágica, um Santo Graal contemporâneo que todos desejam, mas ninguém sabe onde está. Isso porque ela é a possibilidade que habita o presente, é o próprio Zeitgeist, está em todo o lugar para quem tiver olhos de ver, ouvidos de escutar e desejo de realizar. Inovar é realizar transformações relevantes a partir e para as redes que habitamos. É um modo de viver em que um presente ampliado e esquivo nos desafia a agir com consistência e amplificar a geração de valor. Onde as cidades, as escolas e as organizações precisam de uma acupuntura certeira para que os pequenos pontos de luz ganhem força e ofusquem o que nos consome (e o que consumimos).

Estamos à altura do que nos acontece, se estivermos colados ao acontecimento. Toda a economia pode ser criativa.

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Destruição Criativa: difícil, mas necessário

Parar não é fácil para ninguém. Estamos (ou estávamos) acostumados com um ritmo alucinante de acontecimentos, trabalho e produção. Fazer e fazer o tempo todo. Talvez este seja o momento do “para quê”. Talvez o momento de rever o que estamos fazendo com o mundo que nos cerca e conosco mesmos. O que precisa ser destruído? O que precisa ser construído?

Em meio a tudo isso, topamos com um artigo super interessante cujo link coloco aqui:

http://www.othercanon.org/papers/index.html

Reinert, Hugo and Erik S. Reinert: Creative Destruction in Economics: Nietzsche, Sombart, Schumpeter.

Bom, se você não conhece o conceito de destruição criativa e anda em crise, vale a pena ler. É um pouco denso, mas traz algumas idéias fundamentais como as que seguem:

  • É da natureza do ser humano (e da economia, já que o artigo vai até o nível mais macro) transformar-se. Nietzche já dizia.

Não é fácil, porque nosso instinto conservador é muito forte e a idéia de destruição nos amedronta, mas é necessário. Superar-se é a base da inovação (tanto se a considerarmos como transformação pessoal quanto se a levarmos para o nível das relações ou mesmo dos negócios ).

  • Uma das capacidades fundamentais de quem quer ter essa capacidade de transformação é saber lidar com opostos, com paradoxos.

Quem tem essa capacidade normalmente “sai na frente” porque evita escolhas prematuras e fáceis e suporta viver o processo de destruição na sua intensidade para nele buscar um novo estado.

  • Essa transformação seria um sinal de saúde. O que se conserva igual, morre.

Fácil falar, difícil de fazer. Seja na vida pessoal ou nos negócios, destruir para criar dói, mas nos coloca mais perto da natureza e até das nossas próprias células, que nascem e morrem todos os dias.

O autor faz também um exercício interessante de buscar a origem do conceito de destruição criativa, que está, por exemplo, na mitologia grega (a idéia da Phoenix que renasce das cinzas), na mitologia hindu (Shiva seria o deus da destruição e Brahma o da criação) e mesmo no cristianismo (ressurreição de Cristo).

Dá pra se inspirar e pensar que somos parte de um movimento maior.