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Olho no olho x olho na tela – um paradoxo na Campus Party

“Estamos aqui para compartilhar” –  é o que todos dizem, mas na Campus Party o que mais se vê são pessoas absorvidas em seus próprios micros e debates em que os convidados mal se ouvem, em parte por causa da péssima acústica do local, em parte pela disposição das mesas. Sim, o evento foi incrível, mas fiquei intrigada com essa questão. Como compartilhar sem olhar nos olhos, sem ouvir o que o outro diz com cuidado? Onde aconteceram as verdadeiras conversas da Campus Party?

Claro, tem muita, mas muita vida online. Mesmo assim,  era algo estranho assistir diversos debates e ver que mesmo quando as pessoas estavam interessadas elas olhavam… para seus próprios micros. Já estavam postando, digitando, ouvindo música: multi-tarefas. É um novo modo de viver com as conexões acontecendo em outras dimensões e ocasionalmente…

“posso usar o cabo que está aí debaixo do seu pé?”

“Claro!” – retrucou a garota ao meu lado.

Tive a oportunidade de participar de alguns momentos em que essa rotina foi quebrada:

1. Ao encontrar amigos queridos apresentando seus trabalhos ou passeando: Dalton, Drica, HD, Maria, Talita, Murilo, Fábio, Ronaldo. Abraços! Podia ter um mob do abraço ali, mas acho que era mesmo hora de extravasar e sair gritando de tanto energético na veia.

2. Conversas na Vivo com pessoas super interessantes como a Lala Deheizelin, do Crie Futuros, Gil Giardelli, com seu blog cheio e entrevistas imperdíveis sobre a festa, Helder Araújo, do TED, Walter Takahara, Mafeteca… Ainda não inventaram algo tão divertido quanto sentar e compartilhar ideías com gente inteligente. Gracias, estou seguindo os links que ganhei de vocês.

3. Palestra algo bizarra, mas em formato aquário, que reuniu Augusto de Franco, da Escola de Redes, Walter Lima, da USP,  Bob Wollheim, Martha Gabriel e Rafael Barreiras entre tantos outros.

"o aquário"

O aquário consiste em manter no centro da conversação um grupo de debatedores com uma ou duas cadeiras vazias, oferecendo a todos que estão na platéia um espaço para participar em pé de igualdade com os convidados. Neste caso, ainda ficou o grande desafio de acolher outros pontos de vista e comunicar-se de forma não violenta. A composição entre as pessoas que estavam ali teria mais potência do que a contraposição. Quase terminou em briga, mas foi bom, muito bom assistir o único debate da Campus Party em que os convidados olharam nos olhos uns dos outros o tempo todo. Veja você mesmo. Valeu Algarra!

O processo foi tão interessante quanto o conteúdo, que vou postar assim que der… as aulas começam, a vida segue na grande cidade.

Quem está está conectado pode até estar em rede, mas nem sempre se comunica de fato.

boa excessão: o músico mineiro e sua infinita paciência de explicar como discotecar com cubos sobre o vidro.

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Hackear a educação

é este que você ainda está buscando?

é este que você ainda está buscando?

Tudo bem, o verbo hackear não está no Houaiss, mas já está sendo aplicado às mais diversas situações e negócios. É um modo novo  que coloca a liberdade acima da autoria individual e agora mexe cada vez mais com a área de educação.

O artigo “How web-Savvy Edupunks are Transforming American Higher Education” publicado hoje na Fast Company mostra novas tendências encontradas nessa área. Boa chacoalhada na árvore dos educadores e boa inspiração para inovadores em geral. Entre essas tendências, algumas são inquietantes.

Para o professor David Wiley da Brigham Young University, “as universidades serão irrelevantes em 2020”. Ele faz parte do movimento de conteúdo aberto ou “open content”, que segue a linha do software livre e do creative commons e reune diversos sites que oferecem conteúdo acadêmico online.

Mas não basta disponibilizar recursos de aprendizagem produzidos em lugares como o MIT, por exemplo. Agora a proposta é viabilizar sites onde eles possam ser combinados até formar um curso inteiro. Um passo apenas para a obtenção de uma gradução a um preço inimaginavelmente barato.

Peer2Peer, University of the People, Academic Earth e o pioneiro MIT’s OpenCourseWare são todos recursos que seguem essa tendência. Cada um tem seu foco. O Peer2Peer, por exemplo, promove trocas de experiências e conteúdos entre professores enquanto o Academic Earth é uma coleção de conteúdos disponíveis online em vídeos, textos e afins.

Para ser mais disruptivo ainda, há o  caso da Western Governors University, que baseia seus serviços somente em assessments progressivos de competências, visando uma determinada linha de formação. Seu foco não é formar, mas provar que a competência está presente. Só testar!

Estranho? Faz parte se você foi educado numa sala com a velha lousa verde. Que venham os edupunks!