sustentabilidade

Inovação para a Sustentabilidade – Servicizing

Ganhamos de presente o vídeo que está no fim deste post sobre a importância da transição de uma economia focada no aumento da produção e do consumo para uma economia focada em serviços. O que isso significa? Significa que o consumo colaborativo, o aluguel de coisas das quais não precisamos todos os dias ou mesmo o compartilhamento, são um caminho claro para uma nova cultura de consumo, onde o usar substitui o ter.
Os dados são claros. Em 2030 precisaremos de dois planetas se o consumo continuar crescendo no ritmo atual. As iniciativas de redução de impacto da produção no meio ambiente muitas vezes barateiam produtos e acabam tendo o efeito colateral do aumento do consumo. No caso do Brasil o maior do poder aquisitivo da Classe C, apesar de não ter nada a ver com produção mais sustentável, mostra como ainda há esse desejo, como nossas vidas são focadas em ter mais e mais. A consequência são estradas lotadas, shoppings sendo construídos em cada esquina e tudo muito justo. Todo mundo quer um lugar ao sol, ou na praça de alimentação do shopping.
Por isso uma das questões da inovação hoje é o fator cultural. Se inovação, como acreditamos na Dobra, é produzir o futuro que queremos, é preciso que ela se dedique a mudar a nossa forma de viver o cotidiano; o que valorizamos, o que compramos, sobre o que conversamos com nossos amigos quando falamos das “melhores coisas da vida”.
Talvez esteja nascendo um novo contexto, em que essas “melhores coisas” sejam experiências menos materiais e não estamos falando da elevação espiritual do ser humano (ainda) mas simplesmente em um novo modelo no qual experimentar está à frente de possuir. É uma GRANDE mudança de filosofia de vida!
Talvez a transição de parte da nossa vida para o ambiente virtual também reforce essa tendência: vamos viver experiências que podem ter algum vínculo com o mundo da matéria e do consumo, mas também podem estar encerradas alí, num lugar em que o consumo de recursos é baixo. ape
Isolamento? Alienação? Não necessariamente. Outra descoberta recente. Estamos participando do beta-test de um sistema chamado greenApes (http://www.greenapes.com/en) que vai ajudar as pessoas a entender o seu padrão de consumo, consumir de forma mais sustentável (ou evitar o consumo) e formar comunidades em torno do tema da sustentabilidade de uma forma divertida. A experiência tem sido incrível! É uma inovação que vai na direção da mudança do padrão de consumo. Amén (sic).
Como diria o mestre Maturana, a cultura se faz a partir da nossa rede de conversações, então, que essas iniciativas possam abrir novos caminhos.
Eis o vídeo. Divirta-se e inspire-se.Servicizing

Redes para a Sustentabilidade: 3 reflexões e 4 aprendizados práticos

Queridos amigos,

Escrevo para dizer que não consegui as passagens para o Rio.

Sei que contavam com isso, assim como eu, mas o barco não chegou.

Fiquei no porto, esperando, com uns poucos companheiros cheios de esperança.

Tomei chuva, tomei sol e, mesmo sem querer, volto ao cais todos os dias na esperança de ver chegar aquele barco onde parecíamos caber todos.

Estou cansada, na verdade. Só fico se vocês vierem procurar carona comigo.

(Por via das dúvidas, tragam suas varas. A gente pode, no mínimo, pescar).

Beijos a todos.

Lu

Assim de certa forma me despeço de mais uma tentativa de “colocar no ar” uma iniciativa na área de sustentabilidade.

Sempre fui ligada ao tema, mas acabei sempre atuando no setor privado onde, se não há pagamento, não há negócio. O máximo que acontece é uma proposta, que depois a gente joga fora ou recicla.

Mas com projetos de sustentabilidade é diferente. As pessoas se apaixonam. Somos ávidos por sentido nesse mundo em que existe sempre um cartão para comprar “todas as outras coisas”. A rede de pessoas envolvidas com esse tema é cheia de energia emocional e engajamento. Nem os mais céticos escapam, nem sequer Henneke, da Holanda, com seus lindos olhos verdes que no Festival de Aprendizagem da Reos Partners, me mostrou sua cara mais triste ao descrever a situação é objeto deste post.

Eis o assunto:

O dinheiro alimenta a rede ou a rede, quando suficientemente forte, gera recursos para si?

Por uma questão lógica, vamos investigar primeiro a segunda hipótese. Se uma rede forte gera recursos, os modelos de crowdfunding, por exemplo, são de fato o futuro e as moedas sociais vão florescer e se tornar cada vez mais relevantes do ponto de vista econômico. Aprenderemos a gerar valor de outras formas e a unir pequenos pedaços para viabilizar grandes iniciativas. É um caminho no qual apostamos coletivamente.

Entretanto, no último ano e meio, vivi situações que contradizem essa hipótese e mostram que, sim, a um dado ponto a rede precisa de dinheiro. Ele ainda é o nosso equivalente universal de valor e precisamos dessa validação.

A primeira situação era um projeto na área de agricultura ao qual me dediquei por alguns meses. Sucumbiu sob trâmites políticos globais de ONGs e Universidades. A rede que foi mobilizada em torno do projeto persiste. Houve encontros poderosos e algumas relações já existiam antes do projeto ganhar nome, mas o fato é que, sem recursos, a rede entrou em latência. Foi frustrante: não fui remunerada e não consegui dar visibilidade à rede. Mas conheci pessoas incríveis, fiz novos amigos, “emoções eu vivi”.

A segunda situação está sendo infinitamente mais difícil do que a primeira. Quando entrei na sala para conhecer as pessoas que haviam sido convidadas para criar o projeto, fiquei sinceramente emocionada. Era “a sala dos superpoderes”, como disse um dos participantes do encontro. Mas era começo de férias e o projeto precisava ser criado, precisava de guardiões que agüentassem férias escolares, chuva e sol escaldante.

Fomos três voluntários a aceitar.

Coloquei toda energia que pude.

Não aconteceu.

Muitos fatores podem ter levado a isso, portanto registro aqui alguns aprendizados, casando reflexões minhas com aprendizados que coletei durante o Festival de Aprendizagem da Reos.

  1. Não há rede se a diversidade de vozes não é ouvida. Mesmo as mais duras, as que duvidam e temem, e talvez essas principalmente, precisam ser ouvidas. É preciso que o poder se expresse, como diria Kahane, e quem tem mais poder precisa se posicionar. Se você faz parte do nascimento de uma rede sobre a qual tem dúvidas, saia da sala, fale agora, mas não se cale para sempre. Esse é o pacto primeiro. Nenhum método de diálogo serve verdadeiramente a um grupo se não der espaço para as vozes mais difíceis de escutar. Diversidade também é isso.
  2. As redes precisam, SIM, de recursos. O dinheiro é uma energia fundamental que valida nossas iniciativas, ainda que dinheiro não seja igual a valor. Não acredito mais na teoria que Brafman e Beckstrom apresentam em The Starfish and the Spider, de que o dinheiro pode matar uma rede. Todo mundo precisa comer, no final do dia.
  3. A rede não morre por causa de dinheiro. Se a rede existe mesmo, ela persiste nas relações que duram, e no olho no olho. O projeto de agricultura está renascendo das cinzas e eu, como seria de se esperar, pude chorar a falta de patrocínio do segundo projeto ao lado de outro “superpoderoso” da nossa rede. Ele, veterano, me olhou com olhos de “eu sabia”, apesar de ter colocado sua própria reputação “na reta”. Obrigada, E. R., foi muito bom te reencontrar!

Algumas outras coisas não são aprendizados, mas hipóteses:

  1. Os projetos que mais mobilizam a rede vão persistir e achar um caminho de geração de valor. Vejo isso nos e-mails que estão circulando. A rede é maleável: as pessoas mudam, a idéia persiste. Obrigada Telma.
  2. Potenciais patrocinadores ainda não sabem o que é investir numa rede. Há um timing, há um ritmo necessário, porque a rede é atravessada pelas histórias de vida de pessoas que se encontraram naquele momento preciso, por sorte ou por acaso. Nesses encontros se revelam processos históricos e orgânicos  que escapam à lógica do setor privado. Rede se paga com rede, apoio com apoio.
  3. Assimetrias de poder e disponibilidade de energia precisam ser consideradas. Quem pode mais num determinado momento, apoia mais. A rede se baseia na confiança de que haverá resultados para todos os que geraram de fato o resultado, seja ele sucesso ou fracasso. No mundo da reputação, quem faz leva, no bom e no mal sentido.
  4. Precisamos construir uma linguagem comum, algo que permita conversações entre o setor privado, o setor público e o terceiro setor. Essa foi uma conversa recorrente no Festival de Aprendizagem da Reos. Construir essa linguagem talvez seja uma das grandes tarefas que temos pela frente. Quem sabe a conversação, afinal, não vai abrir espaço para fluírem idéias, relações e, até, dinheiro?

Bom, amigos, é isso. Pelo menos a gente aprende e compartilha. Essa é a energia que eu posso oferecer agora.

Não deu pra mais (ainda).

Toda economia pode ser criativa

Vivemos talvez o momento mais criativo e grave da história da humanidade. Vivemos a “era da abundância, mas ainda carregamos a mentalidade da escassez”. Podemos pela primeira vez reconhecer a complexidade do mundo e temos em nossas mãos as ferramentas, as potências e o desejo para lidar com ela.

Esse mundo complexo nasce de uma conectividade inédita, de um fluxo de informações crescente, da diversidade aliada à perspectiva da unidade e de um caos que pode nos levar ao esfacelamento ou à descoberta de padrões que antes eram invisíveis.

Temos pressa. Pressa de conservar o planeta, pressa de evitar novas guerras, pressa de encontrar condições para a expressão da potência individual no trabalho, deixando de lado o terrível paradigma da dor como algo que enaltece o ser humano. Queremos carregar um certo sorriso por trás do que fazemos, não negando qualquer dor, mas sabendo que a dor é um estado que pode passar por nós como a água de um rio que conhece o seu próprio destino.

Amor e dor, poder e colaboração, não temos mais tempo para maniqueísmos. Queremos misturas. Temos pressa de viver.

Através da tela do computador buscamos bons encontros. Temos o desejo de tocar aqueles que compartilham a mesma vibração: é possível amar a vida sem ser inocente demais. É possível usar todas as capacidades técnicas, científicas e cognitivas que conquistamos em composição com o emocionar alegre, urgente e prático da dita geração Y. Em Y temos escolhas.

O desejo dessas novas composições vai então habitando projetos: ações certeiras, que impregnam o mundo a partir de uma escuta aberta e da contemplação de mapas complexos. “O velho desaparece não por colapso, mas porque fica obsoleto“.

Onde quer você esteja e com quem puder conversar, vai ouvir a mesma história. Queremos uma vida que tenha sentido. Escondida embaixo das mesas de reuniões nas empresas, estendida sobre as mesas de bar ou nos desenhos que os coaches fazem com seus pupilos, está essa perspectiva de projetos que vão se articulando e formando um mundo que ainda não conseguimos enxergar. É nesses projetos que queremos empregar nossas energias.

Temos pressa. Nunca houve tanta inspiração e tanta gente “solta”, em busca de um agenciamento positivo que ajude a exercer sua potência. Nunca houve tanta pressão para cozinharmos juntos nossos saberes, catalisando inovações sem autoria, que nascem no “entre”, nascem nas relações, mas com autoridade e recursos coletivos.

Inovação pode então parecer uma palavra mágica, um Santo Graal contemporâneo que todos desejam, mas ninguém sabe onde está. Isso porque ela é a possibilidade que habita o presente, é o próprio Zeitgeist, está em todo o lugar para quem tiver olhos de ver, ouvidos de escutar e desejo de realizar. Inovar é realizar transformações relevantes a partir e para as redes que habitamos. É um modo de viver em que um presente ampliado e esquivo nos desafia a agir com consistência e amplificar a geração de valor. Onde as cidades, as escolas e as organizações precisam de uma acupuntura certeira para que os pequenos pontos de luz ganhem força e ofusquem o que nos consome (e o que consumimos).

Estamos à altura do que nos acontece, se estivermos colados ao acontecimento. Toda a economia pode ser criativa.

Post de avião: primeiras ressonâncias da #CICI2011

Vivemos em rede e isso nos persegue para além de todos os relógios e ruas impermeáveis. Estamos conectados, acessíveis, ativos. Tudo é possível.

A comunicação vai criando frestas em antigas estruturas. Um prefeito que ouve os cidadãos via twitter, uma carta mágica que une cidades educadoras, a tradução perfeita para o insight quando Tião Rocha fala que é clarão!

Encontros. Esse é o maior efeito de estar na #cici2011. Jovens ativistas com a assertividade da geração Y temperada por uma esperança vertiginosa no encontro de @webcidadania. Tecnólogos cuja mente acelera a 1000 por hora diante de possibilidades infinitas. “Nunca me desconecto, diz @fe_cabralis ”.

Florestas digitais sendo plantadas no Acre por pessoas como @andreazilio, um maranhense balançando o cartão de Christakis com o logo de Harvard. “O Brasil precisa conhecer o Brasil.”

Gil Giardelli soltando seu mantra-trem-bala-digital sobre a platéia boquiaberta. Rose Vianna dando um beijo em Fritjof Capra.

Ligação direta do virtual com o real. É o que acontece ali, onde @migos se tornam amigos (ou não).

Transformar o bairro em um país e o país em um game, no jogo de @cacaug (Guarnieri) e @Augustodefranco. (Já que vamos ficar vidrados no celular, que ele nos lembre sempre do jogo da vida).

A sabedoria de Jaime Lerner falando para a platéia como se fosse num bar. A gentileza de Fritjof Capra ofuscando a dureza de Rifkin. Nicholas Christakis dobrando-se em riso diante da platéia lotada. Estamos num Brasil mítico, onde o mundo imagina que tudo é possível.

O Open Space com @Jerry Michalski, o homem de cérebro aberto. O encontro com @fmorais e @renatalemos, casal que se formou ali mesmo, do virtual para o real, no ano passado.

A E_R experimentando com pessoas de verdade no Mini-Curso sobre Redes, muito além de uma sequência de comentários no Ning. Os mais novos da escola, como o Rafael Reinehr,  mostrando cara e coragem no like a TED. Conteúdo maior do que a forma. Dos mais velhos, fazendo falta figuras como @lalgarra e @luizdecampos.

A CICI é uma pequena saga pelas iniciativas de reinvenção do mundo. O tempo se acelera: esse ano foi mais de 365 dias melhor do que o ano passado. Era difícil escolher.

Twitter streams intermináveis.

@ETC s por todo o Brasil.

Efeitos reverberando ainda agora.

Ano que vem: de novo.

Redes de Sustentação para a Sustentabilidade

Trabalhar com sustentabilidade em grandes organizações é um desafio enorme! Sempre fico impactada quando termino um trabalho com esse tipo de time.

Apesar de todo o pensamento em torno do triple bottom line e da necessidade de criar soluções que integrem aspectos sociais, econômicos e ambientais, a equação da sustentabilidade muitas vezes não fecha. E não fecha por quê?  Uma das principais razões é o processo de tomada de decisão nas grandes corporações e como ele lida com as perspectivas de curto, médio e longo prazo.

Quando a empresa trabalha com participação nos resultados (PR) e com metas anuais atreladas, os resultados de curto prazo tendem a ser privilegiados. Isso acontece, em grande parte, porque é muito mais difícil criar indicadores que representem no curto prazo resultados de ações que vão realmente fazer a diferença somente no longo prazo. Muitos executivos passam, então, a trabalhar guiados por metas tão antigas quanto as teorias de administração: redução de custos, racionalização do uso de recursos ou o controle de processos. Ok, o modelo de PR não é o único problema, mas é um símbolo muito forte da dificuldade de mudar a forma como acontece o processo de tomada de decisão em grandes corporações.

Segundo o Relatório das Nações Unidas Global Impact, “embutir novas concepções de valor e performance no nível organizacional e individual” é um dos grandes desafios atuais da sustentabilidade no que diz respeito à incorporação definitiva da sustentabilidade às estratégias de negócios.

O tema, portanto, deve ganhar cada vez mais relevância e talvez ajude a evitar decisões como a que ouvi num relato durante a semana passada e que complicou completamente a equação de sustentabilidade de um cliente numa dada região.  Não é possível ter sustentabilidade quando existe o afastamento da comunidade. Na história relatada, esse afastamento se traduziu numa fragilidade da comunidade em questão, em altos índices de criminalidade, em ações de depredação e até mesmo atos quase “terroristas” contra funcionários. Não é a primeira vez que ouço esse relato: era o econômico falando mais alto e se sobrepondo ao triple bottom line na tomada de decisão. A decisão foi justificada pela necessidade de ter mais foco na operação e nos resultados do negócio e menos foco em lidar com a comunidade.

Casos como esse evidenciam que quando as questões econômicas de uma operação se tornam críticas, o primeiro dos três fatores a ser prejudicado é o social, já que o ambiental muitas vezes é matéria prima ou condição para a operação.  Quantas empresas industriais, por exemplo fazem um bom mapeamento das comunidades presentes num novo local de instalação antes de começarem a operar? Quem chega primeiro? O pessoal de responsabilidade social ou de engenharia? Quantas vezes eles chegam juntos e, mais importante, sabem conversar sobre sustentabilidade?

Daí o título deste post. O desafio dos times de sustentabilidade é gigante, pois a cultura organizacional de mais de um século está estruturada sobre o pilar econômico. Pensar no ambiental e no social nesse contexto é uma questão de valores e esses mudam lentamente ou mudam empurrados por situações de crise.

Quando a crise chega… lá vem o pessoal de sustentabilidade. Mas aí está o paradoxo: os profissionais de sustentabilidade são chamados quando a situação já é insustentável e acabam, portanto, operando numa lógica de curto prazo que é contrária à essência do seu trabalho. Trata-se de um quadro difícil de reverter e que acaba afastando esses times do seu verdadeiro trabalho: preparatório, preventivo, de busca de harmonização da operação com as condições locais.

Como então mudar essa situação?

É  hora de pensar em redes de sustentação para a sustentabilidade, pensar em estratégias de rede que façam esse tema permear a organização de maneira mais capilar, influenciando a cultura e os valores dos colaboradores e gerando novos padrões de conversação sobre sustentabilidade.

Talvez seja também a hora de olhar para o time de sustentabilidade não como um grupo, mas uma rede que liga a organização com seu entorno de uma forma sistêmica. Essa parece ser também a conclusão de muitos CEOs, conforme mostra o relatório da UN.  Em um dos depoimentos citados, podemos ler uma declaração emblemática: “conforme nos movemos para a era da  Web 2.0, onde muitos stakeholders enunciam suas preocupações e se unem, nós precisamos nos engajar com eles.” Para muitos, a formação dessa rede pode ser uma questão de proteção de marca, ou algo inevitável, mas o potencial é muito maior: a formação de uma rede criativa e de transformação econômica e social.

Cada um e cada localidade sabe onde lhe “aperta o calo” da sustentabilidade e muitas vezes as soluções pré-moldadas ou definidas centralmente prescindem de uma escuta fundamental: a das vozes de quem já estava ali muito antes da empresa chegar. As comunidades são não só stakeholders fundamentais, mas fonte de preciosos conhecimentos.

Num país de dimensões continentais como o nosso, o desafio é manter vivas redes de sustentabilidade  que possibilitem não só a emergência de soluções locais, mas também a troca de conhecimentos em nível nacional. Articular esse tipo de rede exige uma espécie de Do in antropológico que ainda estamos estudando, testando e construindo. É a arte da intervenção mínima necessária para influenciar uma rede sem agredí-la, já que, no caso de redes sociais, sempre partimos de algo que já tinha vida antes que qualquer observador chegasse lá.

Outro ponto importante, é começar a olhar a inovação para a sustentabilidade como uma responsabilidade não de uma empresa isolada, mas de todas aquelas que operam numa mesma região, evitando, assim, a competição entre projetos sociais semelhantes e buscando uma coordenação dessas organizações em rede (sem necessidade da intermediação central ou do governo). Aí sim, quando as soluções são compartilhadas, otimizar recursos faz todo um novo sentido.

Como seria então uma arquitetura de redes sociais locais para a sustentabilidade? Como compartilhar soluções, já que os problemas, certamente, são compartilhados?

Vou continuar pensando. Vc está convidado a pensar comigo.

PS: recebi um presente do @futurescape, um artigo que indica fontes preciosas e menciona o caso da Tata Motors na Índia, que adota o princípio de Trusteeship  nascido em Gandhi. Infelizmente, trusteeship não tem boa tradução para o português, seria um depositário de confiança, um administrador-curador capaz de gerenciar eticamente os recursos. Vale a pena checar.

Metadesign e Inovação

Quarta passada tivemos mais uma conversa interessante aqui no JuntoSP. Era para ser uma conversa sobre Metadesign, mas o tema da Inovação parece mesmo ser o que deixa os corações e as mentes intranquilos. Todo mundo quer entender.

Nossos convidados foram o Caio Vassão e o Luiz Algarra, além de executivos, profissionais de comunicação e design, parceiros da Dobra, enfim, uma mistura bem interessante.

De onde vem o termo meta?

Segundo Vassão, o primeiro termo com esse prefixo foi a Metafísica. Diz a lenda que foi uma forma de classificar os livros da filosófia primeira de Aristóteles, que não tinham nome. Como ficavam após (meta) os livros de Física, foi criado o termo metafísica. Mas a palavra metafísica tem decorrências importantes. Ela remete à questão da ontologia, ou seja, das próprias categorias de pensamento que utilizamos para refletir sobre algo. Trata também da possibilidade de adotarmos a posição do observadores de nossas próprias vidas: uma meta-posição.

Para mim, a pergunta de Maturana, “como fazemos o que fazemos?” é a grande e poderosa meta-pergunta. Podemos nos perguntar sobre como fazemos a física, como trabalhamos ou como fazemos o design dos espaços que habitamos. “O Metadesign é o projeto do próprio desenho de projeto”, diz Caio.

Ele deu então o exemplo do programa metafont (ou tex), um sistema de editoração para programar fontes. Quem programou o sistema que programa fontes, é o metadesigner.

Tentando fazer uma imagem, é como se a vida tivesse layers e fôssemos subindo e subindo para níveis cada vez mais altos para observar o que fazemos. Esses layers, coloca Caio, são os níveis de abstração. Ser um metadesigner é se colocar num nível mais alto de abstração.

Metadesign e sistemas complexos

Quando nos deparamos com sistemas complexos, como uma organização ou uma comunidade, por exemplo, não é possível criar um projeto fechado. O sistema está o tempo todo mudando e se adaptando. O metadesign cria então um ambiente de decisões composto de algumas diretrizes básicas, critérios e regras que facilitam a vida de quem atua dentro do sistema. Não são parâmetros de controle, mas operadores para atuar no sistema que são validados ou não mediante o uso.

O princípio por trás disso é: elementos simples podem gerar o complexo ou, revertendo o raciocínio, é possível encontrar elementos simples que ajudem a operar num sistema complexo. O metadesign procura identificar esses elementos simples, criando o que Pierce denomina sistema categórico oportuno.

Critérios compatilhados para operar num sistema complexo: é mais fácil dizer do que conseguir, mas eles podem ajudar a responder positivamente a pergunta: é possível projetar a complexidade?

Algarra então apontou uma distinção fundamental: o que nos torna humanos é o fato de conversarmos sobre esses critérios, ou ontologias. Esse é um dos fundamentos do conceito de Inteligência coletiva, que nasce em Bateson (Steps to na Ecology of Mind).

Parece duro, “cabeçudo”, ultra-reflexivo, mas então foi trazido um conceito interessante para alimentar a discussão: o de homo ludens. De acordo com esse conceito, a base da cultura é a brincadeira. O que nos torna humanos, então, é a nossa capacidade de brincar com ontologias e conceitos, ou seja, brincar com o desenho de como queremos viver o que vivemos. Essa me parece uma idéia preciosa: brincar é uma capacidade talvez esquecida, mas fundamental, pois nos leva e rever, combinar e gerar conceitos de forma criativa. Vivemos o que somos capazes de enxergar, ou o que somos capazes de conversar. Brincar com conceitos que fundamentam o nosso viver enquanto conversamos seria metadesign.

Foi a partir daí que começamos a falar de inovação.

O que é inovação afinal?

Algarra constrói a partir de Maturana: a inovação surge para conservar algo que queremos conservar. Queremos conservar um modo de vida, a possibilidade de ter energia acessível, a possibilidade de lidar com recursos escassos e mesmo assim ter conforto, queremos conservar os negócios de uma organização. É a partir daí que tudo se articula.

Vassão sugere: inovar é manipular ontologias. Podemos fazer isso top down, a partir de categorias pré definidas, ou bottom up, ao observarmos os acontecimentos e criarmos ontologias a partir dessa observação. Para Caio, esse segundo caminho é muito mais inovador.

Inovação seria então “afrontar as fronteiras cognitivas da realidade que construímos”. Twittei a fala do Caio. Paulo Ganns( @pganns sugere:) “Romper no lugar de “afrontar”?”. Bom, talvez inovar seja “dissolver as fronteiras cognitivas da realidade que construímos.”

Mas por que inovar?  De onde vem esse desejo?

Novamente voltamos ao ponto do encontro anterior: o porquê da inovação.

Foram abordadas então duas visões sobre a origem da nossa motivação para a ação: a reação (motivação negativa gerada por uma percepção de erro) ou afeição (segundo Deleuze, é o afeto que nos move). Quem trabalha com inovação sabe muito bem que existe uma grande diferença entre essas duas motivações!

Inovar em reação não é a mesma coisa que inovar em busca de um caminho indicado pelo afeto e pelo desejo. É muito mais difícil gerar inovação radical a partir do primeiro caminho, quando a decadência de algo já é eminente mas, sim, há muitos que se movem somente diante desse tipo de situação. Estamos dentro da caixa.

Alguém diz então: vivemos uma situação de alienação, de falta de consciência de onde estamos, fica difícil estar conectado aos próprios afetos quando se está nesse lugar.

Pensar fora da caixa? Qual caixa?

A caixa seria essa ontologia, essas categorias de pensamento que nos habitam sem que tenhamos consciência e condicionam o que somos capazes de enxergar. Uma conversa de metadesign abre essas caixas e essas categorias para refletir e brincar com elas. Como diria Maturana: eu quero conservar esse modo de pensar?

A inovação é sempre uma coisa boa?

Entramos então numa conversa sobre o binômio inovação e ética e voltamos ao começo para pensar a inovação num sistema complexo (as comunidades em que vivemos).

Num contexto complexo, uma inovação desencadeia uma série de reações sistêmicas. Vassão contou o caso do pocket car, projeto do qual participa. Pensar um novo tipo de carro significa repensar toda a cadeia produtiva do carro. Se o motor for ultra-simplificado, o que acontecerá com os empregos dos metalúrgicos que fazem motores? Se os carros forem compartilhados, o que acontecerá com as companhias de seguro?

Parece-me que essa idéia é muito  interessante: a inovação começa, na verdade, depois que um novo produto ou ação é lançado. Ela se multiplicará nas ações que teremos que realizar para lidar com as conseqüências sistêmicas do que lançamos.

Como surgem inovações na cultura?

A inovação se propaga através de novos conceitos que vão penetrando e se disseminando numa dada cultura. Pode ser um novo produto, mas pode ser simplesmente um conceito novo com que começamos a operar.

Alguém pergunta: vem de uma nova necessidade? Ou nós geramos novas necessidades?

Quem precisava do celular antes dele existir? A necessidade parece ser mais uma conseqüência. A inovação surge, acostumamo-nos ao que ela nos oferece e então a necessidade de consolida.

Mas não é necessário que a inovação seja um novo produto. Ela pode ser simplesmente um conceito, um novo modo de viver. (O termo “ficar”, por exemplo, foi criado há menos de 20 anos para denominar, enfim… relações mais instantâneas)

Esses conceitos facilmente replicáveis que vão alterando nosso viver são as memes.

A inovação é, então, um agenciamento de possibilidades. Se você não entendeu, não se preocupe, se ficou curioso, leia um pouco de Deleuze, mas é mais ou menos assim: as possibilidades são vetores que estão disponíveis, alguém ou algo encontra uma intersecção ou uma combinação nova entre essas possibilidades e, voilá, eis a inovação. (Oferta, já existia, comparação já existia pelo menosdesde as fiscais do Sarney, web veio a existir. Oferta+comparação+web=Buscapé).

Estou simplificando, mas vale, pois nos remete à importância de estarmos atentos aos acontecimentos que emergem à nossa volta sem categorizá-los a priori, permitindo-nos pensar em novas ontologias.

A inovação é experimental, diz Vassão.

Sim, vivemos em Beta.

Mariana Gogswell, outra colega por aqui coloca: Como desenvolver os recursos emocionais para viver assim?

Boa pergunta!

Inovação: o que é, por que e como?

Ontem tivemos o primeiro Sarau de Idéias aqui no JuntoSP Coworking sobre Inovação, com a moderação do Kip Garland, consultor da Innovation Seed e minha (Luciana Annunziata, consultora da Dobra), ambos com mais de dez anos de experiência no tema. Um grupo pequeno, aconchegante e variado, entre executivos, consultores e empresários esteve presente, expondo suas experiências e perguntas.

Começamos levantando as questões dos presentes e o que mais   surgiu foram perguntas em torno de como preparar as pessoas para inovar ou, de forma mais geral, como fomentar a cultura de inovação numa organização. Sim, colocou Kip, sempre acontece de estarmos muito preocupados com os comos. Queremos fazer acontecer. Mas, a pergunta que não quer calar ainda é “o que é inovação, afinal?” e “por que” precisamos dela. Introduzir ferramentas, práticas e mesmo processos tem efetividade muito limitada se não existe um sentido maior que oriente esse tipo de esforço. Foram dados alguns exemplos de casos práticos em que processos de inovação bastante interessantes, envolvendo grandes grupos de pessoas e tecnicamente muito bem elaborados, foram sendo abandonados por falta de uma validação perene e pressionados pelas pressões de curto prazo. Sem porquês claros, o processo vai minguando.

Por que o porquê vem primeiro?

Para alocar bem os recursos é preciso que a organização tenha muito claro por que precisa de   inovação. Esse tema foi abordado não só do ponto de vista da organização, mas do ponto de vista da sociedade como um todo. Por que precisamos de mais e novos produtos? Do que realmente precisamos?

Esses porquês guiam a alocação de recursos no cotidiano, seja nas decisões de consumo, seja nas grandes decisões empresariais. São eles que nos lembram de questões mais sistêmicas que envolvem a inovação, tais como o contexto concorrencial, a escassez de recursos, os valores por trás da tomada de decisões, a sustentabilidade. Os porquês nos paralisam com a mão na gôndola e nos fazem refletir.

Numa organização, essa alocar recursos para inovação significa saber quando priorizar projetos com elevado risco.  Esse ainda é um grande desafio estratégico, especialmente para empresas que estão obtendo bons resultados ou atuam em setores que parecem estáveis, como os de commodities ou distribuição de energia, por exemplo. Essa alocação se refere a recursos financeiros, sim, mas sobretudo a recursos humanos. As melhores pessoas da estão dedicadas ao projetos de inovação?

“O que”: de que tipo de inovação estamos falando?

Esses porquês também vão definir o tipo de inovação ou  “o que” que a organização está buscando. Antes de discutir inovação é bom saber de que tipo de inovação estamos falando. Quanto a isso, levantei pelo menos 8 visões (ou tipologias) diferente sobre inovação. Segue uma lista aberta para você se divertir e completar:

  • Políticas de fomento à inovação (normalmente relacionadas a políticas governamentais e parcerias público-privadas).
  • Visão tipológica: inovação tecnológica, de produto, de processo ou de serviços.
  • Visão topológica (nomeclatura minha): topologia do portfólio em relação a riscos e capacidade atual de realização, por exemplo).
  • Visão processual: referente tanto a processos de geração de idéias quanto a processos de seleção (e temos de um lado o design thinking como inspiração de um lado e os sempre presentes stagegates ou funis, do outro).
  • Visão arquetípica (ou de personas): referente aos diversos modelos mentais necessários à inovação, especialmente nos times que a realizam, como coloca Tom Kelley em As 10 Faces das Inovação.
  • Inovação de Modelo de Negócios: como proposto por Gary Hammel ou Clayton Christensen (cada um deles com uma visão diferente sobre as competências essenciais que guiam esse tipo de inovação, como colocou Kip).
  • Inovação Aberta: que procura abrir os modelos de inovação das organizações para as redes de conhecimentos que podem amplificar seus negócios, como em Chesbrough ou Lindegaard.
  • Inovação Social: uma discussão mais recente que procura fomentar a geração de valor para a sociedade articulando o setor privado e o 3º setor, com a potencial criação de um setor 2,5. Há diversas iniciativas interessantes surgindo nesse espaço.

Não se trata aqui apenas de classificar ou reduzir, mas de brincar com essas visões para visualizar o espaço de inovação que a sua organização está explorando. Dentro de cada uma dessas visões há diversas categorias que dão muito assunto para reflexão.

Conversamos, por exemplo, sobre a inovação disruptiva e sua distinção em relação à inovação radical. Ela não diz respeito a mais conforto, mais sofisticação, mais praticidade e sim à busca de uma certa simplicidade. O que é essencialmente necessário em um carro? Surgem hoje exemplos de carros mínimos, como os da Tata Motors ou o novo Volt, que mostram o que é esse capacidade de buscar o essencial. Trouxemos também um exemplo relatado por Clayton Christensen: uma TV branco-e-preta carregada por bateria solar, por exemplo, não tem nada de novo, mas Christensen relata como ela faz sucesso entre povos nômades em algumas partes do globo.

Todo mundo quer os “comos”

Apesar de termos começado a discussão perguntando sobre “como inovar”, acabamos voltando a esse tema no final já um tanto esvaziados. Diante dos grandes porquês e o quês, não havia mais espaço nem tempo para discutir os comos. Sim, existem muitos comos interessantes, métodos e ferramentas que podem ser combinados, mas esta discussão fica para a próxima, isto é, se os porquês estiverem claros.

PS: . O comentário ontem quando tentamos definir inovação ontem foi: inovação é a vida na zona de desconforto (J).

Consumo Colaborativo

Um post rápido de final de dia.

Um tema apaixonante.

Uma quebra de paradigma.

Que bens precisamos realmente possuir? Quantas vezes você usa de fato sua filmadora, seu aspirador de carro ou sua furadeira?

O consumo colaborativo já é uma realidade. Bike sharing é apenas o exemplo mais famoso. Couchsurfing é uma realidade.

O que mais podemos compartilhar?

FIB, Sonha São Paulo e a possibilidade de imaginar novos mundos

TUCA_aérea

imagem de Tuca Vieira

Hoje é Blog Action Day. No mundo todo, os blogueiros escrevem sobre a questão climática. Tenho conversado sobre sustentabililidade, economia e novas perspectivas para a cidade de São Paulo com meus amigos e ouvi ideias bem interessantes que vou reunir neste post.

Que novos modos de pensar e conviver podem nos ajudar a mudar o mundo em que vivemos? Como podemos subverter, reverter e reformar o que vivemos do pequeno ao grande acontecimento?

Vou dar alguns exemplos muito variados que, espero, possam rechear de inspiração o seu dia. Eles vão da macroeconomia à micropolítica, então este post é uma espécie de mergulho que parte de uma visão aérea e vai até a modificação de coisas simples do dia-a-dia, pensando sempre na inovação e na construção de um mundo mais sustentável.

Começando pelo mais macro, acho importante mencionar a linda subversão do conceito de PIB, através da criação do FIB, indicador de Felicidade Interna Bruta. Nada tão novo. Esse movimento foi iniciado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuk nos anos 80, quando ele criou um novo índice para apurar o sucesso da economia do seu país. O FIB trabalha com 9 dimensões inter-relacionadas:

Padrão de Vida, Boa Governança, Estado de Saúde, Educação, Diversidade Cultural, Resiliência Ecológica, Vitalidade Comunitária, Uso Equilibrado do Tempo Bem-estar Psicológico e Espiritual.

Fica evidente que vai surgir daí uma cesta de indicadores muito diferente daquela que compõe o PIB! Quem sabe nos ajudará a rever conceitos antigos de crescimento e progresso baseados no acúmulo e na exploração de recursos.

O movimento de elaboração e disseminação do FIB, que tem em Susan Andrews uma de suas maiores disseminadoras, pretende fornecer ferramentas para planejar um novo modo de investir e organizar as comunidades em que vivemos tendo em vista a interdependência fundamental que está tanto por trás do processo evolutivo no nosso planeta quanto das nossas mazelas. Somos um único sistema vivo.

Indo agora para um nível um pouco mais “micro”, temos a cidade, que é o lugar onde se manifestam todas as contradições do sistema sócio-econômico. São Paulo, pulsa, cheia de vida, mas é atravessada por um rio morto… é lugar de tantos encontros, mas também de tantas pessoas perdidas. Então como ser feliz na Cidade de São Paulo? O que é bem estar numa das maiores metrópoles do mundo? Com podemos, juntos, começar agora a construir o futuro que desejamos a partir dos grandes potenciais dessa cidade?

Conversávamos sobre isso com gestores da regional São Paulo Capital, da Natura. Eles refletiam sobre a complexidade de apoiar causas sócio-ambientais na cidade. O que selecionar? Em torno do quê as pessoas têm mais desejo de se mobilizar? Como a Natura poderia contribuir na busca de bem estar nesse ambiente?BANNER NATURA SONHA SP_2 hires

Decidimos então fazer uma Investigação apreciativa (IA) sobre o tema. Esse método nos ajudará a ouvir e conversar para compreender melhor os sonhos de cidade que estão na mente de colaboradores da empresa, stakeholders e cidadãos em geral.

Fazer renascer o Tietê? Plantar árvores frutíferas nas ruas? Escolas públicas de qualidade? Teleféricos para melhorar o trânsito?

Entre sonhos lúdicos e necessidades básicas, entre possibilidades delirantes e a linha amarela do metrô, vamos descobrir possibilidades e elaborar projetos.

Você pode participar dessa proposta inserindo o seu sonho no www.sonhasaopaulo.com.br e estimulando pessoas da sua rede a fazerem o mesmo. A partir do que será registrado ali, vamos fazer um estudo dos temas mais freqüentes e vamos ajudar a Natura a refletir sobre sua atuação na nossa cidade.

Finalmente, se você quer uma ação mais imediata, micropolítica e até autoral, aqui vão algumas inspirações. No blog do Desvio há um post super bacana sobre o conceito de Gambiarra: criatividade tática. Não, não se trata de fazer “um gato” na fiação elétrica, nem usar fita crepe para fazer a barra da calça (apesar de tudo isso fazer parte do espírito libertador do conceito). Trata-se de manter abertas possibilidades modificar, subverter e re-criar a realidade em que vivemos, de manter ativa uma criatividade tática que nos aproxima a cada instante da inovação e de nos mesmos, com nosso olhar único sobre o mundo e nossa potência de atuar.

Estar alerta, ativar nossas redes e ter consciência do que queremos sustentar no mundo é fundamental para vivermos no presente o futuro que desejamos.

Se você vai participar desse movimento fazendo uma modificação no seu ambiente de trabalho, realizando um grande projeto como o Sonha São Paulo ou procurando apurar o FIB de um país, não importa tanto. Importa sim que você reforce os fluxos de mudança nos quais acredita.

O sucesso passa a ser uma resultante de todos esses esforços coletivos e não de uma iniciativa em particular.

Veja este vídeo para se inspirar. Uma idéia criativa, uma gambiarra européia, um novo design para um mundo que já existe!

Biomimetismo: Não pise na grama sem perceber o que ela esconde

... ou deite e role para ver como ela funciona.

... ou deite e role para ver como ela funciona.

Um dos princípios mais utilizados para gerar idéias é a analogia. Dia desses, durante um projeto, recebi um telefonema de um participante. Ele me perguntou se seria interessante entender como a Igreja Universal consegue atrair tantos fiéis e fazer uma analogia com negócio deles.

A primeira resposta que me ocorreu estava relacionada à busca dos contextos nos quais nos inspiramos para gerar idéias e soluções. Isso porque, toda analogia carrega consigo uma dinâmica. A velha analogia do mundo como relógio, por exemplo, trazia consigo a inevitável dinâmica mecanicista. A analogia de trilhas de aprendizagem, tão utilizada em grandes universidades corporativas, também exige cuidado para não gerar uma visão de caminho pré-definido, onde cabe ao “caminhante” apenas “seguir a trilha”. Enfim, a analogia pode ser um ótimo trampolim para a geração de idéias, mas é preciso entender de onde ela vem e ter uma visão crítica.

Comentando esse tema com um amigo, recebi de presente o link do site Ask Nature. Trata-se de um banco de dados de soluções da natureza que pode ser consultado através da simples questão “how would nature…?” O site, gerido pelo Instituto de Biomimetismo, é fácil de navegar e memoriza as buscas que você vai fazendo ao longo de uma dada pesquisa.

Na busca de formas diferentes de realizar processos de seleção de projetos de inovação, por exemplo, descobri que existe um estudo interessante sobre como as abelhas “votam”. Suas táticas incluem, por exemplo, a apreciação da diversidade dentro do conjunto de possibilidades disponíveis antes de qualquer escolha. Interessante, não?

Nem toda a informação está lá, nem todos os documentos que o site menciona estão disponíveis para consulta porque muitos são papers científicos. Apesar disso, só a pesquisa já inspira.

Você já pensou, por exemplo, em pesquisar em que condições a grama vence as ervas daninhas? A estratégia da grama verde de Kentucky é construir conexões tão fortes que não deixam espaço para a estratégia solitária de determinados tipos de mato. Talvez uma inspiração para as redes sociais.

A natureza apresenta soluções que contemplam em sua dinâmica de funcionamento características muito desejáveis: a interdependência das partes, o funcionamento sistêmico e a co-evolução, entre outras. São inspirações para processos de gestão, design, arquitetura, tecnologia. Está na nossa cara!

Por isso, não pise na grama sem pensar em como ela funciona! Na própria natureza e, portanto, em nós mesmos há incríveis soluções para nossos dilemas.